O início de tudo…

Descobrir um câncer não é fácil, ainda mais na minha idade, sempre fiz mil planos, e sempre mentalizei tudo o que eu quis na minha vida. Parece até loucura, mas eu tinha tudo planejado: idade que iria me formar, idade que iria me casar, idade que iria passar num concurso. Coisa de virginiana!  Penso que eu estava vivendo minha vida de acordo com o planejado, tudo nos conformes. Estava me dedicando bastante aos meus estudos também, até porque eu sonho alto demais e as minhas metas exigem muito estudo, sempre fui muito ambiciosa em relação aos meus planos e nunca vi nada de errado nisso.

Por um desígnio da vida fui diagnosticada com câncer. Logicamente minha vida virou de cabeça pra baixo, não só a minha, como a da minha família, e, em especial, a da minha mãe. No final de julho, de repente nos deparamos com um fato assustador: fui diagnosticada com câncer de mama, aos 20 anos de idade. Recebemos a notícia da pior maneira possível, por um profissional totalmente insensível. Minha maior preocupação no início de tudo seria se eu sobreviveria, até porque eu não sabia de nada, era algo totalmente novo e inesperado. Minha mente deu um nó bem difícil de desamarrar. Eu e minha mãe entramos em desespero, vivemos dias de horror. Comecei a perceber que meus problemas não eram problemas de verdade e as questões do dia a dia que eu tanto reclamava não eram nada. Todas as questões que antes me incomodavam, me deixavam ansiosa ou me despertavam qualquer sentimento ruim passaram a ter um peso mínimo na minha vida.

Na primeira semana em que tive a suspeita, eu acordava todos os dias achando que era um pesadelo, mas não era. Depois foi ficando mais “normal”. Passado o susto inicial, depois de um auxílio médico correto (graças aos meus amados padrinhos), biópsias, ressonâncias e outros mil exames feitos eu passei a aceitar da forma mais tranquila que pude. Tive que ser racional e colocar na minha cabeça que não adiantaria nada desespero, até porque, sou privilegiada demais, pois estou tendo uma assistência médica de ponta, além de um amparo imenso das pessoas que sabem desde o início. Não tenho absolutamente nada a reclamar, na verdade, só tenho a agradecer. (Inclusive, obrigada mãe, por viver isso junto comigo e não sair do meu lado por um segundo!!!)

Digeri essa bomba e sempre tive a consciência de que teria que me tratar. Infelizmente tive que desacelerar a minha rotina e agora não tenho mais as mesmas atividades que eu tinha, mas tudo bem. Muita gente se assusta ou acha estranho toda essa tranquilidade, mas penso que tudo vai da fé de cada um.

Em momento algum questionei o motivo de tudo isso acontecer comigo, apenas decidi seguir em frente e lutar com todos os meus artifícios contra essa doença maldosa, silenciosa e que mata tanta gente. E mais, tenho fé e acredito que vou sair curada disso.

O tratamento é longo, a saúde fica frágil e a imunidade abaixa. Ficou decidido pelo meu oncologista (que é maravilhoso por sinal) que o meu tratamento inicialmente são de 16 sessões de quimioterapia, 4 sessões da quimioterapia vermelha (a mais forte) a cada 15 dias e depois 12 sessões da branca 1x por semana cada. Já fiz três sessões da vermelha! Faltam 13 ao todo (acho que farei outro post falando sobre quimioterapias, esse aqui vai ficar gigantesco e cansativo).

Enfim, decidi criar essa página para que eu consiga ir relatando aos poucos sobre o que eu sinto pós quimioterapias, sobre o que eu penso, sobre as situações que eu passo, a minha rotina em geral com o câncer, e, principalmente, para mostrar que eu sairei dessa vitoriosa. Câncer tem cura!!! Obviamente eu tenho meus altos e baixos, há dias que acordo bem, há dias que acordo mal, há dias que não quero olhar na cara de ninguém, há dias que quero ver o mundo… É um processo bem longo e difícil, mas que estou me adaptando aos poucos e moldando essa nova fase da minha vida em cima disso.

Beijos,

Bel