PICC, meu novo cateter

Consegui me recuperar bem nos últimos dias e me sinto bem melhor, graças a Deus!!

Hoje tive consulta cedinho no Cettro e felizmente estava tudo certo. Dr. João finalmente me liberou para a quimioterapia, depois de quase três semanas! Antes, porém, fui submetida a novo procedimento de acesso intitulado Cateter Central com Inserção Periférica (PICC). Este novo cateter substituiu o porth-a-cath. As vantagens dele são: evitar repetidas punções das veias (toda quimioterapia será feita através dele), longa permanência, menor risco de infecção (mas ainda exige cuidados), não precisa ir ao centro cirúrgico (foi feito dentro do próprio ambulatório do Cettro por enfermeiros capacitados).

Como eu fiquei internada na última semana e sofri bastante com repetidas injeções e coletas de sangue, fiquei bem fragilizada e muito mais sensível à dor. Meus braços já estão bem doloridos, as veias estão fragilizadas e finas, um braço ainda está roxo e meu pulso direito está bem dolorido… Eu tenho tentado ser forte e procuro suportar, sem reclamar, todos os procedimentos a que sou submetida, mas confesso que senti muito medo para colocar o cateter, afinal de contas ninguém gosta de sentir dor e esse era o meu medo.

Bem, embora seja um procedimento realizado sob anestesia, guiado por ultrassom e por profissionais habilitados e extremamente cuidados, ainda senti um incômodo e o medo que eu estava sentido intensificou a dor, que é bem subjetiva. A verdade é que me bateu um leve desespero em saber que um novo cateter, de aproximadamente 40cm foi introduzido na minha veia, dentro do meu braço e vai ficar por lá por alguns meses. Mas, enfim, venci essa fase também. Passei pelo procedimento (não sem chorar um pouquinho) e depois fui para a quimioterapia.

Depois de colocar a PICC (é no feminino porque é apenas um acesso) fiz a quimioterapia normalmente nele. É tão confortável quanto o porth-a-cath, a diferença é que fica no braço esquerdo, visível, coberto por uma telinha. Para tomar banho eu devo envolver o braço em insufilm (filme pvc) e ter bastante cuidado para não molhar. De resto, posso continuar “vivendo minha vida normalmente”, mas sempre com prudência, é lógico.

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Fazendo a quimioterapia hoje (22/11) pelo meu novo acesso
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Já em casa com a PICC “protegida” por uma telinha 🙂

É isso!

PICC feita! ✅

Beijos,

Bel ❤️

Tchau, cateter! Home Care…

Felizmente o Dr. João conseguiu realizar minha cirurgia no domingo cedo e retirou o cateter. Naquele mesmo dia me senti melhor, meu coração voltou a bater compassadamente e parei de sentir aquele desconforto que estava sentindo. O cansaço e a fadiga diminuíram, gradativamente. Fiquei internada até segunda-feira e depois vim para minha casa (antes passamos no Cettro para que as enfermeiras de lá fizessem um novo acesso no meu braço, visto que o que foi feito no Hospital já não estava bom. Lá no Cettro as enfermeiras têm mãos de fada). Graças a Deus!! A cada dia que eu ficava internada era um dia a mais de agonia, angústia e ansiedade. Agora estou recebendo atendimento domiciliar (Home Care), os enfermeiros de uma empresa veem até a minha casa duas vezes por dia e ministram a medicação que eu preciso. Considero bem melhor, pois estou no conforto do meu lar, longe do hospital e do risco de possíveis infecções hospitalares.

Ainda estou me recuperando da retirada do cateter, dói um pouco no local. Na verdade, é bem mais incômodo o pós-cirúrgico da retirada do cateter do que para colocá-lo. Sinto o local bem dolorido, além do mais, fazer qualquer tipo de esforço é complicado. Por enquanto, até terminar de tomar o antibiótico, estou de repouso em casa, não posso mesmo sair e também não estou recebendo visitas.

Nos dias que estive internada me vi totalmente dependente da minha mãe, ela me ajudava a tomar banho e, inclusive, colocou comida na minha boca porque eu estava bastante cansada. Nunca me imaginei numa situação dessas, mas agora estou bem melhor.

Agora quero terminar logo esse antibiótico, me ver livre desse acesso e voltar à minha rotina, ou seja, a rotina das quimioterapias. Amanhã tenho consulta cedo e vamos ver se quando o Dr. João vai me deixar retornar à minha rotina.

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Parafernálias contra a infecção! 
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Acesso para a medicação, close nas unhas com esmalte natural kkk

Beijos,

Bel ❤️

 

Altos e Baixos

A última semana não foi muito fácil, por isso andei sumida daqui…

No domingo passado (04/11) tive uma tontura em casa, acabei desmaiando e batendo a cabeça levemente. Minha mãe ficou preocupada e achou melhor avisar aos médicos que cuidam de mim. A orientação foi para ir ao Hospital Brasília. Viemos. Chegando aqui fiz exames de sangue e tomografia do crânio. Felizmente tudo estava normal. Na segunda-feira fomos ao cardiologista para fazer uma avaliação da minha frequência cardíaca, que, embora tomando remédio para controlar, ela não normaliza. Por conta disso, mais uma vez tive que colocar um HOLTER pelo período de 24 horas. Na terça-feira (05/11) tirei o HOLTER, era véspera de quimioterapia, tive febre e novamente viemos ao hospital – quando dá febre de 38ºC o protocolo é ir direto ao hospital. Chegando aqui eu já estava sem febre, mas o exame de sangue que eu havia feito no inicio da tarde sugeria uma infecção, por isso o médico receitou um antibiótico e voltamos para casa.

Quarta-feira (06/11), dia de quimioterapia. Eu tinha consulta bem cedinho com o Dr. João, logicamente ele disse que eu não faria quimioterapia naquele dia. Após o exame clínico ele pediu um exame de cultura do catéter, a fim de afastar a possibilidade de contaminação.

Depois de colher o exame voltamos para casa. Na verdade, muito embora estivesse me sentindo um pouco fadigada, fiquei triste por não fazer a quimioterapia na quarta-feira. Queria fazer. É que tínhamos na cabeça, eu, minha mãe e minha tia, que iriamos comemorar o fim dos ciclos de quimioterapia no Natal e o fato de protelar uma semana me deixou um pouco triste. Mas depois a minha tia me disse que passaríamos a comemoração para o Ano Novo e minha cabeça capitulou esse novo momento. Enfim, não podemos desanimar e o Dr. João por certo sabe o que é melhor para mim, confiamos inteiramente nele.

Bem, mas eu andava meio para baixo esses dias. Minha frequência cardíaca alterada (o HOLTER mostrou que num período de vigília de 24 horas, meus batimentos cardíacos    estiveram acima de 100 por 11 horas. Era como se em 24 horas eu corresse 11 horas. Não era a toa então que eu estivesse tão cansada, um incômodo para respirar, uma fadiga no peito. Mas a última quimioterapia que fiz foi dia 01/11, então não era ela a vilã.

Passei a quinta-feira relativamente bem.

Sexta-feira (07/11) fomos ao cardiologista. Ele trocou o remédio que controla a frequência cardíaca. Estava bem cansada e com muita fadiga, passei o dia para baixo e no final da tarde tive uma febre de 38.8ºC.  Minha mãe me trouxe ao hospital imediatamente. Cheguei sem febre, mas meus batimentos estavam chegando a 154bpm e eu estava com uma dor quase que insuportável na cabeça. Prontamente fui atendida, colocaram um acesso em mim e me aplicaram um antibiótico e eu tive uma reação alérgica imediatamente. Foi horrível, uma das piores coisas que já senti, entrei em total desespero, chorei, senti muita coceira, fiquei com a pele vermelha, quente. No mesmo momento recebi antialérgicos. A equipe do hospital agiu de forma muito rápida. Fiz outros exames e foi descartada a hipótese de pneumonia, sinusite, infecção urinária.  Então estou aqui internada, tomando outro antibiótico. O Dr. João concluiu que só pode ser o catéter, o grande vilão e decidiu retirá-lo. A cirurgia foi marcada para hoje de manhã, mas houve um problema: me aplicaram uma injeção de anticoagulante que deveria ser aplicada somente depois da cirurgia. Pela graça de Deus, Dr. João foi informado um pouco antes de me levarem para o centro cirúrgico, por isso estou aqui aguardando o procedimento para amanhã, domingo, bem cedinho. Dr. João disse que tem dois compromissos amanhã, tirar meu cateter e correr 10km. Eu também tenho dois: ficar sem esse cateter-vilão e descansar para continuar forte lutando essa batalha.

Tenho sido forte até agora, pelo menos tenho me esforçado, mas é claro que não vejo a hora de ganhar essa guerra e retornar à minha rotina, à minha vida, meu projetos, meus sonhos! Viver, lutar contra um câncer não é fácil, mas sobra o aprendizado. Hoje sei que tudo tem seu tempo. Eu não planejo nada.  Tudo vai de acordo com os planos de Deus.