Que venha 2018!

2017 foi um ano bem intenso e tenso! Me vi inserida nos mais diversos contextos e nas situações que eu menos esperava, mas que de alguma forma, serviram de aprendizado. Tenho a sensação de que amadureci alguns anos em um ano.

Conheci muita gente incrível e percebi o quanto sou rodeada de gente do bem e que me quer bem. Me vi com uma doença séria e achei que estivesse com os dias contados, mas de uma forma surpreendente me descobri mais forte do que eu imaginava e tenho conseguido encarar toda essa situação com leveza e positividade. Me aproximei mais de Deus, e me sinto amparada por Ele o tempo todo. Estou bem mais próxima da minha família e valorizo a cada dia a importância dessa união. Algumas pessoas se afastaram, outras se aproximaram, o que me fez ver quem realmente está ao meu lado. Me decepcionei também, mas ficou a lição de que eu sei exatamente o tipo de pessoa que quero dentro ou fora da minha vida. Fiz planos que não se concretizaram e me chateei por isso, mas ficou claro que está tudo nos planos de Deus.

Chorei, sorri, tive medo, senti dor, senti alívio, mas em todos esses momentos mantive fé. Aprendi a superar as adversidades, a manter a fé independente das circunstâncias, a ser resiliente, a persistir, a ter paciência e a valorizar as pequenas coisas que antes eu deixava passar batido.

A verdade é que o câncer me fez abrir os olhos, e eu sinto que se fosse como um despertar em mim para a vida, sinto muita vontade de viver,  tenho planos e projetos em mente, sinto vontade de ajudar outras pessoas, de estudar muito mais, de ver o mundo e de poder fazer a diferença. Quando você passa por uma doença que exige e mexe tanto com você, nada parece ser como antes, e comigo é assim, embora eu tenha apenas 21 anos, tenho a impressão de que o que eu já vivi não foi da maneira que eu deveria, e o meu desejo para  o próximo ano é de viver mais intensamente, com gratidão por cada mínimo detalhe,  com muita saúde, amor, luz e muita positividade. Que 2018 traga a minha cura e me surpreenda positivamente!

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Foto: Sabrina Cavalcante
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Foto: Sabrina Cavalcante

Beijos,

Bel

Internação, home care, um Natal diferente

Na quinta-feira a noite percebi que estava saindo pus pela minha PICC, (fiquei preocupada porque isso é sinal de infecção) logo mostrei pra minha mãe, que imediatamente comunicou o Dr. João e ele disse que era para lavarmos com água e sabão e irmos ao Cettro no outro dia. Na madrugada de quinta para sexta acordei tremendo muito e com bastante frio, minha mãe me levou ao hospital imediatamente. Chegando lá a enfermeira aferiu minha temperatura, eu estava com 38,6ºC de febre e com a frequência cardíaca alta, naquele momento já fiquei chateada porque sabia que teria que ficar internada, de novo. Por conta de uma provável infecção na PICC.

No hospital, retiraram minha PICC logo que cheguei, coletaram meu sangue, fiz alguns exames e logo pela manhã, bem cedinho o Dr. João foi me ver. Ele constatou que realmente é uma infecção (febre, calafrios, frequência cardíaca alta) e, por isso, eu devo tomar antibiótico. O que quer dizer que eu ficaria internada. Minha mãe conversou com ele a possibilidade de me deixar em home care como da última vez, ele disse que era possível, mas que eu deveria ficar no hospital até que meu quadro clínico  melhorasse (a febre deveria ir embora). E assim foi, passei a sexta internada e o Dr. João me deu alta no sábado de manhã. Estou em home care, os enfermeiros estão vindo até minha casa duas vezes por dia – durante dez dias – e ministrarão o antibiótico em mim, muito melhor do que passar esse tempo todo dentro de um quarto de hospital. Pelo menos posso passar o Natal em casa, perto da minha família.

Agora não tenho mais a PICC, minhas veias estão ligeiramente desaparecidas e para conseguir acesso tem sido bem complicado. Devo ficar de repouso e evitar fazer qualquer esforço para não perder a veia que tem um acesso. Já estou bem cansada por conta da última quimio, os efeitos colaterais estão vindo mais intensos e ainda soma com essa infecção… Me sinto cansada física e emocionalmente, além de estar um pouco chateada por atrasar o término das quimios. Apesar disso, sigo confiante. Deixo tudo nas mãos de Deus, Ele cuida de todos os detalhes.

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Parte da medicação…

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Meu acesso

Beijos,

Bel ❤️<<
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Últimas semanas de Taxol

Felizmente e finalmente estou nas últimas semanas de aplicação da quimio branca!  Ontem (20/12/2017) fiz medicação, e, portanto, agora faltam duas. A ansiedade e expectativa são imensas, não vejo a hora de acabar com tudo isso logo. Já são 15kg a mais na balança (já sei que muito disso é retenção de líquido e que vou perder logo), atém de muito inchaço no rosto.

Nas últimas semanas sofri um pouco mais com os efeitos colaterais, como as dores chatas nos ossos e nas pernas. Percebi minha pele bem irritada e minhas sobrancelhas já se foram… O engraçado é que ficar sem as sobrancelhas me incomoda bem mais do que ficar careca, mas dou um jeitinho nelas com sombra ou lápis.  De ontem pra hoje senti um pouco de enjoo e dor no estômago e hoje acordei com a garganta me incomodando. Mas tudo isso são  as consequências que taxol traz pro corpo – que facilmente são contornados com os remédios pós quimioterapia que eu devo tomar em casa -,  o que me alegra é que agora falta pouco.

Me parece bastante que nessa reta final o tempo tem demorado um pouco mais a passar, mas sigo confiante e tranquila, pois tenho sido amparada por Deus, pela minha família e por pessoas queridas. Isso tem sido muito benéfico para mim, pois me mantém firme e positiva.

 

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Recebendo a medicação ontem =)
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Gotinhas que curam!

Beijos,

Bel ❤️