Viagem a SP, Oncoguia, Voluntariado

Segunda-feira (11/12/2017), aconteceu o evento I Encontro de Comunicadores Digitais no Mundo do Câncer da ONG Instituto Oncoguia, em São Paulo, no Campus Google, que reuniu 30 pessoas (contando comigo), que enfrentaram ou ainda enfrentam os mais variados tipos de câncer.

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Rede Causadores Oncoguia

Foi uma experiência enriquecedora, na qual pude conhecer pessoalmente mulheres que eu já acompanhava nas redes sociais devido ao câncer. Foi gratificante também, pois é totalmente diferente você poder interagir com quem já passou pelo mesmo que você. Foi um ambiente de empatia, compreensão e acima de tudo, respeito mútuo.

O evento começou às 8h da manhã e contou com várias palestras. A abertura foi feita pela Lu Holtz (@luholtz) que é Presidente e Fundadora do Oncoguia, além de psico-oncologista, e pela Evelin Scarelli (@evelinscarelli) que trabalha em conjunto com a Lu (ela também já venceu um câncer). O trabalho da Lu é lindo, iniciou por uma empatia ante ao assunto desde a época de estudante e ela trabalhou sozinha por 7 anos, até conseguir chegar à grandeza e o belo e admirável trabalho que é feito hoje. Uma causa tão nobre!

Em seguida, tivemos uma palestra da Bel Pesce (@belpesce) que é uma pessoa que tem uma história inspiradora. Tivemos também a palestra “Câncer: Ontem, hoje e amanhã” com o Dr. Nivaldo Pereira (@nivaldofariasvieira), médico oncologista (ele mesmo disse que seria uma graduação e especialização em oncologia em 40 minutos), o que nós, pacientes e blogueiras tiramos de letra, pois já somos graduadas em câncer pela internet (rs). Tivemos também as palestras: “Pacientes com Câncer e as Políticas Públicas” com o Tiago Matos (@tiagofmatos) abordando questões públicas, extremamente importantes no mundo do câncer.

No período da tarde, tivemos palestras voltadas para as redes sociais e internet, “Fonte Confiável: Onde e Como?” pela Dra. Cris Boanvenuto, “Usando Corretamente as Redes Sociais” com o Thiago Massari (@thimassari),  “Como ser Drauzio Varella”, com Jefferson Gorgulho e “Comunicação: quando, como e onde?” com Diego Freire (@diegofreire). Todas  nos passaram uma boa noção da importância de buscar informações em locais confiáveis, além de mostrar a importância do que passamos em nossas redes sociais.

Bom, tudo isso foi importante pois entendi o propósito do Oncoguia e agora faço parte do voluntariado, estou feliz e lisonjeada por isso.

Algumas fotos do evento:

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Beijos,

Bel ❤️

Novas experiências

Quando eu criei o blog o meu intuito era relatar minha experiência e rotina a partir do meu diagnóstico. Imaginei que dessa forma iria ocupar meu tempo, de modo que não ficasse apenas esperando o dia da quimioterapia. Aconteceu, porém, que acabei fazendo novos amigos, especialmente companheiras dessa jornada com o câncer e me vi recebendo mensagens de mulheres que haviam acabado de receber o diagnóstico e queriam mais informações que eu já tinha, uma vez que já estava um pouco adiante no tratamento. Me disseram que de alguma forma eu passei a ajudar pessoas que também convivem com o câncer, mas a verdade é que há uma troca e por isso, nos últimos meses tenho aprendido muito com toda essa experiência.

Há algumas semanas recebi um e-mail do Instituto Oncoguia – uma ONG sem fins lucrativos criada e idealizada com o intuito de ajudar pacientes com câncer -, dizendo que eu havia sido pré-selecionada para participar do 1° Encontro Nacional de Comunicadores Digitais da Causa Oncológica, que acontecerá no próximo dia 11 de dezembro, em São Paulo, reunindo pessoas que atuam nas redes sociais com foco na causa dos pacientes com câncer.

Confesso que de início eu fiquei sem acreditar, mas mesmo assim me inscrevi no site e felizmente fui selecionada para o Encontro. Amanhã, domingo, estamos indo para São Paulo eu e minha mãe, afinal, ela é a minha fiel companheira, guardiã e amiga nessa jornada, vem acompanhando tudo bem de perto, logo, não poderia ser diferente.

Ficamos muito felizes, pois acreditamos que será uma troca de experiências extremamente feliz e enriquecedora, a qual descreverei no meu próximo post!!!

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Beijos,

Bel ❤️

Reflexões…

Antes de vivenciar o câncer eu era uma outra pessoa – não que eu fosse uma pessoa horrível, mas com certeza eu era bem diferente do que hoje sou. Hoje vejo que vivo uma montanha russa, e a cada subida e especialmente na descida eu aprendo um pouquinho mais.

Nos últimos meses passei por muitos momentos desconfortáveis, mas também vivenciei coisas bonitas. Conheci muitas pessoas bacanas e adquiri um carinho imenso por todos que cuidam de mim, tenho certeza que jamais me esquecerei dessas pessoas. Tive a oportunidade de conhecer pacientes que passam pelo mesmo tratamento que eu e vi que cada um tem a sua própria maneira de conduzir as coisas. Além disso, vi também que o câncer não distingue as pessoas, ele não escolhe gênero, raça, idade ou classe social. Todos nós somos igualmente elegíveis.

Diante de tal vivência, tenho tirado algumas lições e vislumbrado diferentes maneiras de encarar minha vida quando tudo isso passar. Sobre isso resolver escrever hoje…

Antes, qualquer coisa que não fosse de acordo com o meu planejamento era o fim do mundo. Hoje eu já aprendi a aceitar;

Antes, minha mãe me lembrava que “a gente tem um plano, mas Deus tem outro”. Hoje eu sei, que o meu tempo tinha pressa, mas o tempo de Deus tem perfeição;

Antes, meu mundo era cor de rosa e eu me achava bem frágil. Hoje, meu mundo deixou de ser cor de rosa e tem as cores do arco íris, vejo que sou forte e tenho conseguido equilíbrio para passar por todo esse processo, embora eu tenha meus dias difíceis;

Antes, cortar as pontas do meu cabelo era uma tortura para mim e eu sempre achava que ele não tinha crescido o bastante. Hoje, sinto uma imensa alegria a cada dia que me olho no espelho e percebo novos fios nascendo e outros crescendo;

Antes, eu tinha o costume de malhar quase todos os dias, fazia dietas e tentava manter um corpo que eu achava que era ideal, embora fosse extremamente magra. Hoje, eu sei que exercícios físicos e dietas são importantes, mas que pensar apenas na beleza física/exterior não é saudável, porque nosso sentido percebe a beleza física, mas é a inteligência moral que percebe a beleza espiritual e esta tem um valor permanente, que não se desgasta com o tempo;

Antes, eu me cobrava demais, o resultado de tudo o que eu fazia devia ser ontem, eu não sabia esperar, ficava agoniada e impaciente com qualquer tipo de demora. Hoje, embora ainda esteja aprendendo a ter paciência, já aprendi que tudo tem o seu tempo;

Antes, eu gastava muito do meu tempo e da minha energia pensando na minha vida profissional, no quanto eu seria bem-sucedida, que precisava sempre ser a melhor no que eu fazia. Hoje, ainda desejo ser bem-sucedida, mas sei que devo me cobrar menos, pegar mais leve comigo mesma, e tudo bem se eu não for tão bem em algo;

Antes, o meu encontro com a minha família era nas datas comemorativas, na verdade passava muito tempo só com a minha mãe. Hoje, passo as 24 horas do dia com a minha mãe, mas também tenho passado mais tempo com as minhas tias e com o meu irmão e vejo o quanto isso é importante e gratificante;

Por fim, antes as pessoas não se aproximavam de mim para falar de Deus, para falar sobre a minha missão nessa vida. Talvez por isso eu não sentia um Deus tão presente na minha existência, tão vivo dentro de mim…

Talvez por isso, antes de vivenciar o câncer eu era uma outra pessoa.

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Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

  Beijos,

Bel ❤️