Cuidados pós esvaziamento axilar

Depois de quase 2 meses da mastectomia e de todo aquele processo longo e angustiante, estou completamente cicatrizada, satisfeita com o tamanho das mamas e com o formato delas (que eu escolhi juntamente com a Dra. Marcela). O tempo é realmente o senhor de todas as coisas. No início fiquei triste, angustiada, agoniada e achando tudo feio e hoje, depois de meses, já estou tranquila e esperando a segunda fase da cirurgia que será feita só depois que eu terminar  o Xeloda.

A minha mastectomia foi feita juntamente com o esvaziamento da axila esquerda e retirada do linfonodo sentinela na axila direita. Meus movimentos estão excelentes, dou esse crédito ao Dr. João que foi super cuidadoso na minha cirurgia e, também à minha fisioterapeuta Raquel que me reabilitou com sessões fisioterapia e drenagem. Os cuidados que devo ter com os meus braços são para o resto da vida.

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FONTE: INCA https://bit.ly/2vF80j7

Se você não sabe nada sobre câncer e não tem contato com esse mundo, na certa deve estar se perguntando o motivo desse cuidado todo… Bom, caso eu não me cuide e sofra alguma queimadura, me corte, carregue peso e etc, eu posso desenvolver linfedema. O linfedema é um acúmulo de líquido no braço gerado por uma alteração na circulação linfática. Uma vez instalado, torna-se uma doença crônica. Eu sou extremamente cuidadosa e não quero nem saber de mais um problema na minha vida!

Sendo assim, percebi que se eu digitar em excesso, sinto dores nos braços, por isso, procuro realizar minhas atividades sempre nos meus limites e não mais que isso. Evito escrever (sou canhota e o esvaziamento foi do lado esquerdo), apenas escrevo o estritamente necessário (até troquei meus cadernos pelo meu notebook), não pego peso, não tiro sangue e não afiro a pressão no braço esquerdo, fico ligada para não me queimar ou me cortar e também não faço força com meus braços. Não vou negligenciar minha saúde, por isso sou cuidadosa nesse quesito.

Antes eu era super acostumada a estudar fazendo resumos imensos, agora eu tenho que me virar para fixar os conteúdos com outros métodos, enquanto isso fico testando novas formas de estudar. Uma hora chego lá… Preciso realizar uma atividade física logo, mas ainda estou enrolando porque não me sinto disposta para isso e também morro de medo de lesionar meus braços, preciso preparar meu psicológico e me sentir bem para isso. Uma coisa de cada vez, de pouquinho em pouquinho eu me readapto à minha nova vida!

Lembrando que cada caso é um caso, apenas estou relatando aqui minhas experiências e o meu ponto de vista!

Beijos,

Bel ❤️

Uma nova rotina pós câncer

 

Retomar a rotina não é fácil depois de ter passado por um tratamento pesado e desgastante. Eu escolhi retomar aos poucos algumas atividades que eu costumava ter antes do câncer (embora eu ainda esteja em tratamento). Na minha percepção tudo mudou, eu não sou mais a Isabel de antes… E sinceramente? Graças à Deus. Ninguém é o mesmo depois de um câncer, sinto que aprendi muito. Vivi e ainda estou vivendo essa fase com toda a intensidade que existe dentro de mim.

Aos poucos tenho procurado me reinserir aos contextos em que eu estava acostumada a viver antigamente, mas sempre respeitando os meus limites. E o engraçado é que muita coisa não se encaixa no mesmo lugar de antes. Meu círculo de amizades não é mais o mesmo (as enfermeiras que cuidaram de mim e minha fisioterapeuta são minhas  amigas também, eu criei um sentimento de afeto por todas), minhas prioridades e preocupações são outras, minha percepção sobre o mundo e sobre as pessoas mudou completamente. O meu olhar passou a ser outro, tive o privilégio de perceber o quanto nós, seres humanos, passamos por metamorfoses necessárias à nossa evolução. Devemos ser melhores sempre e, cada dia é uma oportunidade para isso.

Decidi por mim mesma que era a hora de voltar para a faculdade, mesmo com opiniões de pessoas que me amam dizendo que essa não era a hora, mas pela primeira vez, depois de meses eu pude ter a escolha do que fazer ou não com a minha vida e meu coração me dizia que eu deveria voltar sim, mesmo que não fosse fácil. Decidi voltar a dirigir aos poucos, vez ou outra bate insegurança, mas é tudo questão de tempo. Também decidi que é a hora de voltar a sair com minhas amigas, fazer as coisas que eu gosto, frequentar novos lugares, conhecer restaurantes novos (coisa que amo de paixão) e fazer tudo aquilo que me dá prazer.

Semanalmente tenho participado de uma reunião do Cettro que é um grupo de meditação com mulheres que tiveram câncer de mama e, além disso, ontem fui à uma roda de conversa da Ong Vencedoras Unidas que reúne mulheres que tiveram câncer de mama também. Embora eu seja a mais nova – sem exceção das vezes – nessas reuniões, eu sempre escuto muitos casos que me fazem refletir o quanto sou privilegiada por poder ter o melhor tratamento, o melhor oncologista, a melhor cirurgiã plástica, o melhor psicólogo, a melhor fisioterapeuta e as melhores enfermeiras que existem ao meu lado!!! Acho muito importante e bacana essa troca de experiências. Confesso que antes, bem lá no início, eu achava que não me sentiria muito à vontade com esses grupos de apoio, mas agora eu amo porque conheci muitas pessoas legais, é um mundo novo, com pessoas maduras que, mesmo que sejam mais velhas, me entendem muito e me acolhem de uma maneira linda!

Comecei o segundo ciclo do Xeloda na última semana, sem muitas intercorrências até agora, ainda bem! E avante!

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Abri esse livrinho e, por acaso caiu nessa mensagem que fez todo o sentido para mim… 

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Beijos,

Bel ❤️

Como reagi aos 14 dias de Xeloda (Quimio Oral)

Bem que eu gostaria de fazer review de maquiagem ou de algum outro produto, mas é só o review da quimioterapia oral mesmo (ou Xeloda como preferir).

Eu, com toda a minha esperança, fé e positividade, esperava que os 14 dias com o Xeloda fossem tranquilos como o Dr. João disse que poderia ser, ele me disse que há pacientes dele que tomam e não sentem nadinha. Mas acho que para variar só um pouquinho eu estou fora das estatísticas… Incrível como sempre sou premiada! Minha primeira experiência com o Xeloda não foi das melhores, todo dia era uma novidade.

Senti enjoos que driblei com o velho e bom Vonau, senti dores nas pernas e cansaço, meu apetite foi de fome de leão à fome de passarinho! Sem contar com o meu humor, quem convive mais comigo percebeu, alô mãe!  Eu fiquei extremamente irritada, mas eu sei que esse não é o meu normal. Foi algo que fugiu do meu controle, eu acordava brava e ficava assim o dia todo, aos poucos foi ficando mais moderado. Começaram a surgir algumas manchas escuras nos meus dedos das mãos e as unhas dos pés estão ficando super escuras, de novo. Mas tudo bem, daqui alguns meses tudo voltará ao normal.

Agora estou fazendo a pausa de 7 dias, na próxima semana farei exames de sangue e levarei para o Dr. João analisar e então começo mais 14 dias da medicação.

O ponto X da questão é: câncer nunca mais! O caminho é árduo mesmo, ninguém disse que seria fácil. O Xeloda é uma medicação forte, apesar de ser em comprimidos não deixa de ser quimioterapia, não é? Não há recompensa sem luta, sem esforço e sem dor e, se essa é a minha cruz, vou carregá-la até o fim. Eu acredito piamente que nós conduzimos nossa vida de acordo com nossos pensamentos,  por isso acredito na minha cura e sei que isso é claramente possível de acordo com todas as medidas que têm sido tomadas. Para Deus absolutamente nada é impossível!

Minha rotina tem se dividido entre medicamentos, consultas, terapias e a minha reinserção ao mundo, aos pouquinhos tenho tentado retomar alguns hábitos antigos,  como dirigir, sair com as amigas (programas leves), ir à aula… Só que não tem sido fácil, mas isso é assunto para outro texto. A sede de viver esse mundão à fora continua imensa, meu coração bate ansioso esperando por isso, mas ainda tem chão por aí… Um dia de cada vez!

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Fé? Tenho! Força de vontade? Tenho! Acreditar? Acredito.  Falta o quê? Nada, porque para Deus, nada, absolutamente nada é impossível! E com esse pensamento positivo… posso conquistar o que eu quero. Acredito, confio e aceito. 

Beijos,

Bel ❤️