Uma nova rotina pós câncer

 

Retomar a rotina não é fácil depois de ter passado por um tratamento pesado e desgastante. Eu escolhi retomar aos poucos algumas atividades que eu costumava ter antes do câncer (embora eu ainda esteja em tratamento). Na minha percepção tudo mudou, eu não sou mais a Isabel de antes… E sinceramente? Graças à Deus. Ninguém é o mesmo depois de um câncer, sinto que aprendi muito. Vivi e ainda estou vivendo essa fase com toda a intensidade que existe dentro de mim.

Aos poucos tenho procurado me reinserir aos contextos em que eu estava acostumada a viver antigamente, mas sempre respeitando os meus limites. E o engraçado é que muita coisa não se encaixa no mesmo lugar de antes. Meu círculo de amizades não é mais o mesmo (as enfermeiras que cuidaram de mim e minha fisioterapeuta são minhas  amigas também, eu criei um sentimento de afeto por todas), minhas prioridades e preocupações são outras, minha percepção sobre o mundo e sobre as pessoas mudou completamente. O meu olhar passou a ser outro, tive o privilégio de perceber o quanto nós, seres humanos, passamos por metamorfoses necessárias à nossa evolução. Devemos ser melhores sempre e, cada dia é uma oportunidade para isso.

Decidi por mim mesma que era a hora de voltar para a faculdade, mesmo com opiniões de pessoas que me amam dizendo que essa não era a hora, mas pela primeira vez, depois de meses eu pude ter a escolha do que fazer ou não com a minha vida e meu coração me dizia que eu deveria voltar sim, mesmo que não fosse fácil. Decidi voltar a dirigir aos poucos, vez ou outra bate insegurança, mas é tudo questão de tempo. Também decidi que é a hora de voltar a sair com minhas amigas, fazer as coisas que eu gosto, frequentar novos lugares, conhecer restaurantes novos (coisa que amo de paixão) e fazer tudo aquilo que me dá prazer.

Semanalmente tenho participado de uma reunião do Cettro que é um grupo de meditação com mulheres que tiveram câncer de mama e, além disso, ontem fui à uma roda de conversa da Ong Vencedoras Unidas que reúne mulheres que tiveram câncer de mama também. Embora eu seja a mais nova – sem exceção das vezes – nessas reuniões, eu sempre escuto muitos casos que me fazem refletir o quanto sou privilegiada por poder ter o melhor tratamento, o melhor oncologista, a melhor cirurgiã plástica, o melhor psicólogo, a melhor fisioterapeuta e as melhores enfermeiras que existem ao meu lado!!! Acho muito importante e bacana essa troca de experiências. Confesso que antes, bem lá no início, eu achava que não me sentiria muito à vontade com esses grupos de apoio, mas agora eu amo porque conheci muitas pessoas legais, é um mundo novo, com pessoas maduras que, mesmo que sejam mais velhas, me entendem muito e me acolhem de uma maneira linda!

Comecei o segundo ciclo do Xeloda na última semana, sem muitas intercorrências até agora, ainda bem! E avante!

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Abri esse livrinho e, por acaso caiu nessa mensagem que fez todo o sentido para mim… 

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Beijos,

Bel ❤️