Sobre o semestre que passou…

Quando eu decidi voltar para a faculdade nesse semestre eu pensei que seria realmente o melhor, afinal, eu estaria voltando para a minha vida com algumas adaptações e retomando a minha rotina de acordo com essa minha nova fase da vida. De fato, foi uma decisão correta, mas não considero que tenha sido tranquila,  exigiu bastante de mim, física e emocionalmente.

Embora eu estude numa universidade de renome, infelizmente vi e senti na minha pele que o quadro docente não é habilitado e capacitado para receber alunos das mais diversas condições, o que me deixou bastante pensativa e chateada… De quê adianta  profissionais com inúmeras formações e diplomas se não possuem o mínimo de humanidade e se não sabem ter um diálogo saudável?

A questão é a seguinte: voltar para esse mundo real não é fácil e às vezes pode ser bem frustrante, uma vez que ninguém quer saber se você é paciente oncológico ou não, ninguém quer saber se você está em tratamento ou não.  Não sei se todo esse meu tempo de tratamento me tornou uma pessoa mais sensível do que eu já era e que tem tanta empatia pelo próximo, mas pude enxergar o quanto falta o olhar para com o próximo e o quanto algumas pessoas andam sem amor no coração (é, sem amor mesmo, é o único termo que me vem à mente).

Tive o infortúnio de cruzar com profissionais no ambiente universitário totalmente insensíveis, mas passou. Fiz novos amigos na minha nova turma da faculdade, eles me acolheram e isso me deixou mais confortável. Foi um semestre complicado, que exigiu bastante de mim, talvez porque eu tenha saído de uma rotina só de tratamentos aonde todo mundo me tratou com todo o amor do mundo e logo em seguida tenha sido imersa em uma outra rotina que além de ter que conciliar com meu tratamento ainda exigiu bastante da minha atenção e da minha cognição. Estudei como nunca havia estudado antes, é que a minha mente não é mais a mesma depois do tratamento… Ando bem esquecida e tenho demorado a fixar os conteúdos. Tive que ler, reler e fazer exercícios várias e várias vezes, mas no final deu tudo certo. Deu tudo certo porque eu sei que fiz o meu melhor, sendo assim, saí com a consciência em paz, finalizei o semestre dando o meu máximo e estou de férias!

A boa nova é que com o câncer eu aprendi a lidar com muitas situações, a ter mais paciência com acontecimentos que antes me despertavam ansiedade e desespero. Hoje mesmo uma moça bateu na traseira do meu carro, mas não passou de um susto, não me machuquei, não me estressei, não fiquei desesperada. Se fosse antes do câncer eu teria entrado em total desespero, teria chorado, teria ficado muito brava. Hoje, eu apenas respirei fundo, desci do carro, vi que estava tudo bem, peguei o número da moça (caso eu visse posteriormente que tenha ficado algum estrago) e segui o meu caminho. Vida que segue. Logo depois, analisando tudo isso de fora, vi o quanto cresci como pessoa e senti orgulho de mim mesma, pois pude perceber que a vida tem dessas e que não precisamos nos desgastar com o que não merece o nossa atenção.

Enfim, assim vou seguindo a vida e os meus dias. Vou descansar nessas férias, colocar algumas pendências em dia e me preparar para o próximo semestre e para os próximos acontecimentos, continuo bem animada com o que está por vir. Falta pouco para o xeloda acabar, FINALMENTE!!!

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Beijos,

Bel ❤️

Câncer Sem Tabu

Com o câncer tudo mudou na minha vida. Resolvi abrir o meu coração e expor os meus dias e a minha rotina com o câncer por aqui e isso me ajudou MUITO. De certa forma, vi que tenho ajudado pessoas que se encontram no mesmo barco que eu também, pois quase que diariamente recebo um feedback considerável e positivo, seja no Instagram, seja por mensagens aqui no blog, seja no Facebook.  

Refletindo bastante eu percebi que não está no meu livre arbítrio ajudar ou não as pessoas, pois é mais do que isso: é uma missão. Estamos acostumados a ver o câncer como uma fatalidade, mas não é bem assim. Eu ressignifiquei o câncer, mas e se eu ajudar outras pessoas a ressignificar o câncer em suas vidas também?

Dessa minha reflexão surgiu a ideia de criar o Câncer Sem Tabu (@cancersemtabu). O Câncer Sem Tabu é um Projeto que visa informar, ressignificar e empoderar pacientes oncológicos e familiares. A logo tem esses laços de todas as cores para acolher pacientes de todos os tipos de câncer.  Semanalmente postarei notícias, curiosidades sobre câncer e depoimentos de pacientes lá no Instagram. Tudo isso numa linguagem muito acessível e simples. Acompanhem, sigam e compartilhem!!!

Beijos,

Bel ❤️

 

Metamorfoses Necessárias

É engraçado como Deus reserva planos totalmente diferentes dos nossos para nossas próprias vidas. Na verdade mesmo, eu me imaginava levando uma vida normal como a de qualquer jovem da minha idade: faculdade, estudos, viagens  e caminhando para minha vida profissional.

Se eu não passasse por nada do que eu passei, com toda a certeza do mundo eu não seria a Isabel que sou hoje. Sempre fui muito intensa, do tipo de pessoa que ama ou odeia, que é 8 ou 80, mas hoje tenho muito mais filtro, tenho muito mais discernimento e sei que não devo me desesperar por situações e pessoas que não merecem sequer que eu pense nelas, quanto mais o meu desgaste físico e emocional. Além disso, também sei que só está ao meu lado quem realmente quer o meu bem, torce por mim e que merece a minha companhia. Eu não estou sendo pretensiosa, pelo contrário, o nome disso é amor-próprio.

Se eu tivesse a opção de apagar ou mudar o que eu vivi, certamente eu não mudaria, pois hoje eu sei que eu precisei passar por tudo isso. Eu faço uma analogia entre a Isabel que sou hoje e a metamorfose de uma borboleta: antes de tudo uma lagarta dentro de um casulo que passou por transformações necessárias que resultou em quem sou hoje.  🦋

Beijos,

Bel ❤️