Convivendo com um fantasma

          A vida vai voltando ao normal, ou pelo menos eu tento fazer com que ela volte.

          Costumo dizer o quão difícil é ter tido câncer, isso, porque qualquer dor, qualquer sintoma atípico acaba tomando proporções muito maiores do que realmente deveriam ter. Até comentei com minha mãe que eu convivo com um fantasma do câncer ao meu lado. Bom, eu tenho fé, mas mesmo assim esse fantasma me assombra, afinal é inevitável não ter medo, eu sou humana, eu tenho minhas angústias e as minhas fragilidades.

          Há algumas semanas atrás comecei a sentir uma dor terrível nas costas… Cheguei a tomar remédios para dor, relaxante muscular, anti-inflamatório e fiz compressa gelada, mas a dor não passava. Por fim, decidi ir ao pronto socorro, o médico me receitou um remédio similar a morfina, mas ainda assim a dor não passava. Eu comecei a ficar apavorada. É que nessas horas eu começo a pensar em milhares de possibilidades e passa um filme de tudo o que eu vivi na minha cabeça. Até que no final das contas fiz uma ressonância do ombro e da coluna e me consultei com outra profissional de minha confiança. Pela graça de Deus, no resultado da ressonância deu uma tendinite no ombro direito e a Dra. diagnosticou com contratura muscular. Ela me receitou um anti-inflamatório,  salonpas,  compressa e spray anti-inflamatório. Eu saí tão aliviada e tão feliz do consultório dela… Felizmente eu já me sinto bem e sem dor hoje. Ufa!

          A minha vida é assim… É conviver com a esse tal fantasma que me assusta e que me cutuca quando uma dor inesperada aparece. Mas também é conviver com uma alegria sem tamanho e com um alívio imenso quando descubro que não é nada demais. Eu realmente não sei se com o tempo isso vai normalizando, mas eu espero que sim.  Enxergo esses momentos como provações pelas quais devo passar. E se tem uma coisa que eu aprendi, é que eu devo retirar um aprendizado de cada situação vivenciada.

          O que eu quero é aprender a conviver melhor com isso tudo. Eu sei que eu não posso deixar meus medos serem maiores que eu, também sei que não posso viver o resto da minha vida assim e é aí que eu entendo o quão importante é ter equilíbrio e sabedoria para lidar com esses momentos. Um dia de cada vez, sempre.

 

Beijos,

Bel ❤️