A Importância do Teste Genético

Eu sei que a realidade do Brasil é a de que nem todos possuem acesso ao teste genético e que a decisão de um médico indicar ou não um teste genético foge da realidade de muita gente. Bom, não quero me aprofundar muito nesse assunto, pois acredito que não seja da minha alçada falar sobre isso, o que pretendo é só deixar um alerta de que se você tem casos repetitivos de câncer na sua família ou se você teve um ca jovem, seria interessante procurar um Oncogeneticista para que se investigue isso mais a fundo.

O teste genético é de extrema importância para nós, pacientes oncológicos, para que possamos encaminhar o nosso tratamento. A cada dia que passa a medicina evolui  em direção à uma orientação e tratamentos – que ouso dizer – personalizados com as  particularidades de cada paciente (é o que eu sempre digo: cada caso é um caso e nós somos únicos, nem adianta se comparar). O teste genético é importante, seja para que se descubra pacientes que são portadores de doenças genéticas, seja para a busca da detecção precoce de possíveis genes que predispõem ao câncer.

Esta semana fui para um encontro de pacientes portadores da Síndrome de Li-Fraumeni (uma herança genética de predisposição ao câncer) que ocorreu no Hospital Sírio Libanês em São Paulo, estiveram presentes especialistas no caso, dentre elas, a Dra. Maria Isabel Achatz e a Oncogeneticista Dra. Renata Sandoval (sou paciente dela). Pude aprender e tive acesso à informações de extrema importância, como por exemplo, os cuidados que devo ter com minha saúde daqui pra frente.

Procurar um profissional da sua confiança é a melhor opção sempre, nada de Dr. Google! rs

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Eu e a Dra. Renata, no Hospital Sírio Libanês em São Paulo

Beijos!

Bel ❤️

 

 

 

Dando Tempo ao Tempo

Continuo com a quimioterapia oral (Xeloda), terminei o 3º ciclo e estou indo para o 4º ciclo. Minhas mãos estão bem ressecadas, embora eu as hidrate sempre, além disso, elas   deram uma leve escurecida (na palma e nas cutículas) e começaram a surgir manchas nos dedos das mãos e dos pés. O meu lema continua o mesmo: paciência, pois sei que é passageiro.  Minhas unhas antes do câncer eram fracas e quebradiças, durante o câncer ficaram manchadas e quebradiças e agora pós câncer estão fortalecidas e bem maiores.

Os últimos dias têm sido uma correria, minha rotina anda pesada e sempre estou cheia de afazeres. Não reclamo! Acho ótimo, pois só de me lembrar do ano passado e de toda a minha luta vejo o quanto estou bem e cheia de vida. Apesar de todos os efeitos chatinhos da quimio oral eu tenho conseguido levar bem a minha vida. Hoje acordei e fiquei feliz porque depois de meses eu levantei sem sentir dores nas articulações ou enjoos.

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Se no início de Janeiro eu estava super inchada, com 18kg a mais na balança e tinha apenas uns fiapos de cabelo e absolutamente nada de cílios ou sobrancelhas, hoje já estou desinchada (não sei se completamente) e também tenho muito cabelo  (para quem não tinha nada… considero muito), eles até estão me dando um belo de um trabalho para ficarem arrumadinhos e no lugar! Rs

O que eu quero dizer com essas fotos é que tudo passa, tudo passa mesmo, é tudo passageiro. Se você estiver passando pelo câncer ou conheça alguém que esteja passando por esse momento, não se desespera não!!! Volta tudo para o seu devido lugar, os cabelos crescem com mais força, as unhas também e nós nos descobrimos mais fortes (seja emocionalmente, seja fisicamente, embora tenhamos algumas sequelas pós qt) e mais belos, tanto por dentro, quanto por fora. Em hipótese alguma eu cortaria ou rasparia meus cabelos, mas aceitei tudo isso e tenho vivido cada fase com bastante aceitação e serenidade, pois sei que foi o que Deus reservou para minha vida. Aos poucos tenho saído de casa e tenho voltado à minha vida social no ritmo que percebo que é saudável.

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Eu e minha amiga Bianca! ❤ 
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Fonte: Pinterest

… e há mesmo!!!

Beijos,

Bel ❤️

Sobre aceitar a nossa própria história

Algumas vezes já escutei de mulheres que tem ou tiveram câncer que elas ficam sem jeito em relatar a experiência delas perto de mim, pois mesmo tão jovem eu falo sobre isso tão abertamente e encaro a situação de frente. A primeira coisa que quero dizer para você é que eu também sofri e sofri muito. Eu não sou a mulher maravilha e quem dera se eu fosse! A segunda coisa é que você deve respeitar os seus sentimentos, você deve aceitar a sua dor e deve viver não só essa fase, mas todas as fases da sua vida com toda a sua intensidade  e com o seu coração aberto.

Sofrer, chorar algumas vezes e até mesmo ficar triste é completamente aceitável nessa fase. Não se culpe por isso! A forma como eu encaro tudo não diminui em nada você ou a sua experiência. Sabe por quê? Nós somos seres individuais. Uma coisa que eu aprendi e que levo para a minha vida é que cada ser humano tem o seu próprio tempo para tudo, nós somos únicos. Sendo assim, aprendi que não devo me cobrar tanto, aprendi que eu tenho o meu próprio tempo para realizar os meus sonhos e minhas metas e que o que eu considero como ideal, não é o ideal de todos os seres. Então, se cobre menos, aceite o que você está vivendo! A aceitação é um grande passo a ser tomado, pois a partir do momento em que você aceita a sua condição, você já prepara o seu coração para o que está por vir, é um ato de coragem.

Considero como algo essencial ter fé e entregar nossa vida nas mãos de Deus, porque Ele sabe de tudo e Ele tem um plano muito maior para todos nós. Encarei o câncer como uma experiência de crescimento pessoal, espiritual e como algo necessário, eu tinha que ter passado por isso, foi a forma que me fez enxergar a vida de outro modo. Só que se você acha que para chegar até aqui e até esse pensamento foi fácil, pode desconstruir isso. Eu chorei também, eu me desesperei, eu senti muito medo e algumas vezes achei até que eu estivesse perto da morte, mas sabe o que saiu de tudo isso? Uma Isabel muito diferente, amadureci na marra e aprendi sob duras penas muitas coisas que eu levaria anos para entender e aprender caso eu não tivesse passado por isso.

Eu não odeio o que eu vivi, não tenho vontade de passar longe do Cettro (a clínica que faço tratamento) e também não fico nutrindo nada de ruim dessa fase, mas tudo isso decorreu de atitudes que partiram de mim com o meu coração aberto. Portanto, a dica que fica é: se aceite, tenha fé, faça planos, veja vida e um mundo de possibilidades além do câncer e não menos importante, mas essencial também: se apoie em quem te apoia e em quem quer te ver bem! Eu não tenho vergonha de ter tido câncer, não tenho vergonha da minha história e não tenho vergonha das minhas marcas, pois elas são a prova viva de tudo o que eu passei e sempre que eu olhar para elas ou para a minha história, eu me lembrarei de tudo o que me fez ser a pessoa que eu sou hoje.

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Fonte: Pinterest – não conheço o autor

Se aceita, viu?

Beijos,

Bel ❤️