Relato: primeiros meses de experiência com o Verzenios (Abemaciclibe)

Iniciei o Verzenios em agosto de 2020. Fui informada dos efeitos colaterais mais comuns da medicação, tais como: dores/cólicas abdominais, enjoo, diarreia, alopecia (não a ponto de ficar careca) e queda na imunidade, bem como sobre o cuidado com a alimentação, a evitar alimentos gordurosos, leite e derivados de leite, toranja e derivados, pois interage com a medicação, de acordo com a própria bula. 

A dose de eficácia do Verzenios é de 2cp de 150mg por dia e é o que tomo: 1 cp de 150mg de pela manhã e 1 cp de 150mg de Verzenios + 1cp de Arimidex (Anastrozol) à noite. Devo ingerir esses comprimidos com um copo cheio de água. Além disso, nos 4 ou 5 primeiros meses fiz exames de sangue e consultas semanais/quinzenais, depois espaçamos para exames de sangue e consultas mensais.

Nos primeiros dois meses senti dores e cólicas abdominais fortes. Senti cólicas intensas que depois de 3 min iam embora, como também senti dores do nível de me jogar no chão ou na cama para encontrar uma posição confortável. Houve episódios em que a dor era tanta que eu chegava a vomitar e, por várias vezes eu despertei do meu sono por conta de dor e o que trazia conforto era um bom banho quente. O Dr. João me receitou vários remédios para dor e às vezes esses remédios funcionavam, muitas vezes não adiantavam. Por meses eu só conseguia passar um dia inteiro “bem” após um combo de medicamentos para proteger o estômago e também contra as dores e os enjoos.

No início eu não entendia o motivo e muito menos qual era o gatilho para essas crises. O Dr. João me disse que os 2 primeiros meses eram de adaptação, mas eu já havia passado por esse período e continuava com crises. Eu sempre me alimentei de forma balanceada, mas ao longo dos meses com o Verzenios eu fui percebendo que a minha ‘boa alimentação’ já não bastava. 

Fiz várias tentativas de ajustes na alimentação, de início eu consultei uma nutricionista e não deu muito certo, meses depois fiz outra tentativa, consultei outra nutricionista e finalmente conseguimos juntas um bom ajuste na alimentação (finalmente ♡), o que me proporciona dias melhores e praticamente sem dor. Inclusive, estou em acompanhamento com ela há alguns meses e sou muito grata, pois com a ajuda dela pude perceber o quanto uma boa alimentação é fator chave para a adaptação com a medicação! Graças a esse acompanhamento de pertinho eu estou bem e, consequentemente tenho mais qualidade de vida!

Aliado a esses transtornos e talvez como consequência deles, minha imunidade caiu e tem oscilado nos últimos 7 meses. Perdi pelo menos 5kg, tenho ficado mal-humorada frequentemente, meu cabelo também tem caído de forma considerável, minhas unhas descamam e quebram o tempo todo, minha pele não está legal e eu me sinto cansada com frequência.

A vigilância e a disciplina são diárias na minha vida, sinto que literalmente mato um leão por dia. Aprendo todos os dias um pouco mais sobre mim. Eu não sei quando e nem que horas vou sentir dor e acaba que me sinto refém de mim mesma nesse aspecto, complicado. Porém, as crises de dor têm diminuído consideravelmente, acho que estamos nos adaptando, eu e o Verzenios.

Com amor,

Bel 🦋💜

Voltei!

E um ano depois cá estou eu.

Não estava nos meus planos voltar a escrever aqui. Primeiro: eu achei que eu fosse continuar com o Tamoxifeno + Zoladex + rotina periódica de consultas e exames de acompanhamento; segundo: eu não teria mais o que postar porque cairia nessa “rotina”. Porém eu não tenho o controle de absolutamente nada (mais uma vez a vida me mostrando isso) e o meu tratamento mudou.

Dando uma breve contextualizada: em agosto de 2020, após exames de rotina, o Dr. João (meu onco) trocou a minha medicação. Eu tomava o Tamoxifeno e a nossa relação durou exatos dois anos! Durante esse período tive aqueles efeitos chatinhos de sempre: fogachos terríveis 🔥, às vezes um pouquinho de fadiga, queda moderada de cabelos e mau humor. Tudo isso foi contornável e eu aprendi a conviver.

No finalzinho de ago/2020 comecei a nova medicação. O Dr. João suspendeu o Tamoxifeno e iniciamos o Verzenios (Abemaciclibe) associado ao Arimidex (Anastrozol) e continuamos com as doses mensais de Zoladex.

Explicando de forma simples a função do Verzenios: bloquear proteínas específicas e malvadas responsáveis por promover o crescimento de células cancerígenas no meu corpo.

Lado bom de começar esse medicamento: certamente é uma das drogas mais novas para o tratamento de câncer de mama do subtipo que eu tive, além disso é eficiente e eu tenho a oportunidade de ter acesso. Lado ruim: o tratamento é punk, a adaptação também e foi extremamente sofrido para mim.

Por que eu resolvi voltar a escrever aqui? Porque eu gravei um vídeo rápido no meu instagram no ano passado contando que comecei a tomá-lo e coloquei umas hashtags no vídeo, a partir disso vários pacientes me procuraram perguntando sobre a minha experiência com a medicação. Além disso, é uma medicação nova aqui no país e não há pacientes que compartilham a rotina com o tratamento expondo efeitos colaterais, percepções, etc.

Aos poucos vou postar textos com os meus relatos sobre a medicação e os efeitos colaterais, fico à disposição. É isso, voltei, deixei esse blog com a minha cara e mais uma vez vamos juntos!

Com amor,

Bel 💜

Ciclo encerrado 🗝

Essa experiência louca, intensa e única que é ter tido câncer me transformou completamente. Hoje sou outra pessoa.

Eu não tive a menor opção quando ele chegou na minha vida sem pedir licença. É que tudo aconteceu muito rápido e de uma  forma abrupta e imprevisível. Eu só era uma menina de 20 anos, cheia de inseguranças, medos, complexos e incertezas.

Poxa, mas e aí? E aí que eu fiz o melhor que eu pude dessa experiência toda. Não é fácil, na verdade nunca foi. Foram muitas lágrimas, sustos, noites em claro e inúmeras súplicas a Deus para Ele que me curasse (e Ele me curou). A dor veio e foi embora, mas a lição ficou.

Quantas oportunidades eu tive. Posso até listar as mais memoráveis:

  1. Entendi e aprendi o que é ter fé e espiritualidade;
  2. Tive a alegria de fazer amizades (que hoje levo para a vida);
  3. Sou voluntária de uma ONG que tanto admiro (o Instituto Oncoguia);
  4. Amadureci bastante (mesmo que por livre e espontânea pressão rsrs);
  5. Entendi o quanto sou querida e amada;
  6. Dei outro significado para a vida, passei a dar mais valor aos pequenos momentos;
  7. Tive a sorte de cruzar com profissionais maravilhosos;
  8. Viajei para outro país para conhecer jovens que são portadores de uma mutação genética – assim como eu – e profissionais que estudam essa mutação e,
  9. Criei um projeto que impacta vidas (se você não conhece, corre para conhecer).

Se eu mudaria alguma coisa nos últimos anos? Embora nada tenha acontecido da forma que eu imaginei para a minha vida eu não mudaria. A Isabel de hoje é a soma de todas essas experiências.

Nada disso teria acontecido se eu não tivesse passado pelo câncer. E eu sou grata. Essa foi a forma pela qual eu pude aprender e sentir o que realmente importa. Eu SEI que essa foi a forma que Deus encontrou para que eu pudesse trilhar a minha jornada. 

A minha vida voltou ao “normal” dentro do possível… Faço os meus exames semestralmente (fico ansiosa como todo paciente), tomo o Tamoxifeno diariamente (terei que tomar por 10 anos) e levo injeções de Zoladex mensalmente. Lido diariamente com os temidos efeitos colaterais de uma menopausa precoce, mas faz parte.

Refleti bastante e percebi que não teria mais sentido em escrever aqui no blog. Vou manter a página como uma forma de ajudar a inspirar quem está enfrentando a jornada do câncer, todavia, entendo que a minha missão de escrever aqui no blog se encerrou. Sou muito grata ao apoio incondicional e à torcida que recebi, nunca vou me esquecer disso.

Você pode me encontrar no meu Instagram e também continuo com o Câncer Sem Tabu.

Meu e-mail: isabelccosta@outlook.com.br

Gratidão imensa por tudo.

Um feliz 2020 e um grande beijo,

Bel ❤️💫✨