Voltei!

E um ano depois cá estou eu.

Não estava nos meus planos voltar a escrever aqui. Primeiro: eu achei que eu fosse continuar com o Tamoxifeno + Zoladex + rotina periódica de consultas e exames de acompanhamento; segundo: eu não teria mais o que postar porque cairia nessa “rotina”. Porém eu não tenho o controle de absolutamente nada (mais uma vez a vida me mostrando isso) e o meu tratamento mudou.

Dando uma breve contextualizada: em agosto de 2020, após exames de rotina, o Dr. João (meu onco) trocou a minha medicação. Eu tomava o Tamoxifeno e a nossa relação durou exatos dois anos! Durante esse período tive aqueles efeitos chatinhos de sempre: fogachos terríveis 🔥, às vezes um pouquinho de fadiga, queda moderada de cabelos e mau humor. Tudo isso foi contornável e eu aprendi a conviver.

No finalzinho de ago/2020 comecei a nova medicação. O Dr. João suspendeu o Tamoxifeno e iniciamos o Verzenio (Abemaciclibe) associado ao Arimidex (Anastrozol) e continuamos com as doses mensais de Zoladex.

Explicando de forma simples a função do Verzenio: bloquear proteínas específicas e malvadas responsáveis por promover o crescimento de células cancerígenas no meu corpo.

Lado bom de começar esse medicamento: certamente é uma das drogas mais novas para o tratamento de câncer de mama do subtipo que eu tive, além disso é eficiente e eu tenho a oportunidade de ter acesso. Lado ruim: o tratamento é punk, a adaptação também e foi extremamente sofrido para mim.

Por que eu resolvi voltar a escrever aqui? Porque eu gravei um vídeo rápido no meu instagram no ano passado contando que comecei a tomá-lo e coloquei umas hashtags no vídeo, a partir disso vários pacientes me procuraram perguntando sobre a minha experiência com a medicação. Além disso, é uma medicação nova aqui no país e não há pacientes que compartilham a rotina com o tratamento expondo efeitos colaterais, percepções, etc.

Aos poucos vou postar textos com os meus relatos sobre a medicação e os efeitos colaterais, fico à disposição. É isso, voltei, deixei esse blog com a minha cara e mais uma vez vamos juntos!

Com amor,

Bel 💜

Ciclo encerrado 🗝

Essa experiência louca, intensa e única que é ter tido câncer me transformou completamente. Hoje sou outra pessoa.

Eu não tive a menor opção quando ele chegou na minha vida sem pedir licença. É que tudo aconteceu muito rápido e de uma  forma abrupta e imprevisível. Eu só era uma menina de 20 anos, cheia de inseguranças, medos, complexos e incertezas.

Poxa, mas e aí? E aí que eu fiz o melhor que eu pude dessa experiência toda. Não é fácil, na verdade nunca foi. Foram muitas lágrimas, sustos, noites em claro e inúmeras súplicas a Deus para Ele que me curasse (e Ele me curou). A dor veio e foi embora, mas a lição ficou.

Quantas oportunidades eu tive. Posso até listar as mais memoráveis:

  1. Entendi e aprendi o que é ter fé e espiritualidade;
  2. Tive a alegria de fazer amizades (que hoje levo para a vida);
  3. Sou voluntária de uma ONG que tanto admiro (o Instituto Oncoguia);
  4. Amadureci bastante (mesmo que por livre e espontânea pressão rsrs);
  5. Entendi o quanto sou querida e amada;
  6. Dei outro significado para a vida, passei a dar mais valor aos pequenos momentos;
  7. Tive a sorte de cruzar com profissionais maravilhosos;
  8. Viajei para outro país para conhecer jovens que são portadores de uma mutação genética – assim como eu – e profissionais que estudam essa mutação e,
  9. Criei um projeto que impacta vidas (se você não conhece, corre para conhecer).

Se eu mudaria alguma coisa nos últimos anos? Embora nada tenha acontecido da forma que eu imaginei para a minha vida eu não mudaria. A Isabel de hoje é a soma de todas essas experiências.

Nada disso teria acontecido se eu não tivesse passado pelo câncer. E eu sou grata. Essa foi a forma pela qual eu pude aprender e sentir o que realmente importa. Eu SEI que essa foi a forma que Deus encontrou para que eu pudesse trilhar a minha jornada. 

A minha vida voltou ao “normal” dentro do possível… Faço os meus exames semestralmente (fico ansiosa como todo paciente), tomo o Tamoxifeno diariamente (terei que tomar por 10 anos) e levo injeções de Zoladex mensalmente. Lido diariamente com os temidos efeitos colaterais de uma menopausa precoce, mas faz parte.

Refleti bastante e percebi que não teria mais sentido em escrever aqui no blog. Vou manter a página como uma forma de ajudar a inspirar quem está enfrentando a jornada do câncer, todavia, entendo que a minha missão de escrever aqui no blog se encerrou. Sou muito grata ao apoio incondicional e à torcida que recebi, nunca vou me esquecer disso.

Você pode me encontrar no meu Instagram e também continuo com o Câncer Sem Tabu.

Meu e-mail: isabelccosta@outlook.com.br

Gratidão imensa por tudo.

Um feliz 2020 e um grande beijo,

Bel ❤️💫✨

Ser Paciente

    Ontem  iniciei minha bateria de exames de controle. Assim que eu fizer todos os exames irei levar para o Dr. João e depois disso finalmente irei começar com o Tamoxifeno.

    Muitas mulheres me relatam que sempre que chega perto de fazer esses exames começam a ficar aflitas, nervosas e ansiosas… Eu acho completamente normal e compreensivo, eu também fiquei ansiosa. Refazer todos esses exames é desgastante e nos lembra tudo o que passamos.

    Ontem foi um dia super cansativo, passei por um grande estresse na Clínica que faço meus exames pois fiquei mais de três horas aguardando por um atraso da própria Clínica, toda essa situação só agravou a minha ansiedade, no final do dia eu estava exausta e com o braço doendo (é que fiz exames com contraste).

    Bom, se você passou pelo câncer, inevitavelmente você terá que fazer exames para o resto da vida. E outra coisinha: você tem que se acostumar e aprender a esperar. Já que somos pacientes ou ex-pacientes oncológicos o jeito é aceitar que dói menos, viu?

    Descuidar da nossa saúde não é e nunca foi uma opção. Sei que é estressante, sei também que passar por isso nos faz relembrar tudo o que já passamos, mas de uma forma ou de outra devemos contornar essa ansiedade e devemos equilibrar nosso emocional e nossos pensamentos.  Imaginem viver o resto de nossas vidas com esse estresse de 3 em 3 meses ou de 6 em 6 meses?

    Eu cheguei à conclusão de que ser paciente com a vida e ser paciente oncológico é isso: saber que tudo tem o seu tempo; aprender a aceitar o ciclo da vida; deixar ser cuidado pelo outro; aprender com as situações que a vida nos impõe; ter equilíbrio.

    A máxima de hoje é: Já que somos o jeito é ser.

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Fonte: Pinterest

Beijos,

Bel ❤