Ser Paciente

    Ontem  iniciei minha bateria de exames de controle. Assim que eu fizer todos os exames irei levar para o Dr. João e depois disso finalmente irei começar com o Tamoxifeno.

    Muitas mulheres me relatam que sempre que chega perto de fazer esses exames começam a ficar aflitas, nervosas e ansiosas… Eu acho completamente normal e compreensivo, eu também fiquei ansiosa. Refazer todos esses exames é desgastante e nos lembra tudo o que passamos.

    Ontem foi um dia super cansativo, passei por um grande estresse na Clínica que faço meus exames pois fiquei mais de três horas aguardando por um atraso da própria Clínica, toda essa situação só agravou a minha ansiedade, no final do dia eu estava exausta e com o braço doendo (é que fiz exames com contraste).

    Bom, se você passou pelo câncer, inevitavelmente você terá que fazer exames para o resto da vida. E outra coisinha: você tem que se acostumar e aprender a esperar. Já que somos pacientes ou ex-pacientes oncológicos o jeito é aceitar que dói menos, viu?

    Descuidar da nossa saúde não é e nunca foi uma opção. Sei que é estressante, sei também que passar por isso nos faz relembrar tudo o que já passamos, mas de uma forma ou de outra devemos contornar essa ansiedade e devemos equilibrar nosso emocional e nossos pensamentos.  Imaginem viver o resto de nossas vidas com esse estresse de 3 em 3 meses ou de 6 em 6 meses?

    Eu cheguei à conclusão de que ser paciente com a vida e ser paciente oncológico é isso: saber que tudo tem o seu tempo; aprender a aceitar o ciclo da vida; deixar ser cuidado pelo outro; aprender com as situações que a vida nos impõe; ter equilíbrio.

    A máxima de hoje é: Já que somos o jeito é ser.

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Fonte: Pinterest

Beijos,

Bel ❤

 

Vivendo a Vida

Cada vez menos eu tenho vindo aqui e isso é bom. Eu estou bem!

Semana passada foi bem especial, pois fui ao Dr. João e o meu tratamento está oficialmente encerrado. Agora só irei fazer exames de controle e em breve entrarei com o Tamoxifeno. Também continuarei com o Zoladex – é um medicamento anti-hormonal e que me deixa na menopausa química  mensalmente.

Quanto menos eu vier aqui será melhor, pois isso quer dizer que eu estou deixando a vida me levar – no bom sentido a la Zeca Pagodinho. rs

O meu final de semana foi extremamente especial… No sábado fiz uma festa e comemorei meu aniversário, comemorei a minha vida, comemorei o término do meu tratamento. No domingo tive as bodas de prata da Dani e do Tico. Eu e a Dani viramos amigas porque temos algo em comum: o câncer de mama. Ela também superou, está bem e nesse final de semana celebrou a vida e seus 25 anos de casamento. Tive a oportunidade de ler um texto na cerimônia contando a trajetória da Dani… Ela se tornou muito especial para mim. Por fim, ontem ocorreu um evento muito bacana no Hospital Santa Lúcia aqui de Brasília com o tema “Além do Câncer”, dentro de um projeto chamado “Ressignificar” da Dra. Ana Carolina Salles (oncologista do Santa Lúcia) e eu tive a oportunidade de falar um pouco sobre a minha experiência com o câncer.

Essa será a minha vida daqui pra frente. Eu irei levar minha história, irei encorajar pacientes e irei ajudar o próximo. Vocês não irão me ver mais como a Isabel com câncer e sim como a Isabel que venceu tudo e que está muito bem.

Hoje, com muita convicção eu posso te dizer que por mais que eu tenha passado por tudo isso e por mais que eu tenha sofrido muito, eu saí uma nova Isabel e só saí ganhando. Ganhei amizades verdadeiras, ganhei muuuitas orações, abri minha vida para Deus, ganhei maturidade, recebi amor (muito amor, diga-se de passagem) e passei a ver a vida com outros olhos, olhos de gratidão o tempo todo.

Eu passei a reclamar menos e a agradecer mais e eu vejo que eu nunca tive motivos para reclamar de nada, essa é a maior verdade. Hoje eu só tenho a certeza disso.

 Beijos,

Bel ❤

Quanta vida cabe em um ano?

Vamos lá, quanta vida cabe em um ano?

Em um ano vivi numa montanha russa. Eu me achava frágil. Até que descobri um câncer de mama aos 20 anos, essa foi maior provação que já passei. Me redescobri e vi que sou forte e mais capaz do que eu imaginava. Vou fazer uma breve retrospectiva: fiz 16 qts venosas, fiquei internada 2 vezes, entrei no centro cirúrgico 3 vezes, fui furada inúmeras vezes, fiz inúmeros exames, passei por uma mastectomia radical bilateral (uma das partes mais difíceis, pois eu fui mutilada), vivi muitos altos e baixos, fiquei careca e ganhei 18kg a mais na balança. Por um tempo deixei de lado a minha rotina de estudos, vida social e sonhos de uma jovem da minha idade e fui imersa em um universo totalmente diferente do meu e esse universo incluía consultas, exames, medicações, quimioterapias e o medo constante da morte, o estigma de câncer e morte era muito forte para mim. Naquele momento a minha maior preocupação foi sobreviver. E a menor das preocupações foi ficar careca, inchada e com o rosto deformado. Algumas pessoas saíram da minha vida, mas pessoas muito especiais chegaram e vieram para ficar.

Fiz amigos para a vida, chorei, sorri, tive dor, tive medo (e MUITO), tive compulsão por comer (por conta de tanto corticoide que eu tomei). Mas eu superei tudo isso, já perdi 10 kg, não tenho mais doença dentro de mim, meus cabelos voltaram a crescer, atualmente faço quimio oral – já foram 588 comprimidos! Faltam só 84 – e hoje sou uma nova Isabel. Aprendi sob duras penas muitas coisas que eu levaria anos para entender, mas eu sou grata porque aprendi a ser resiliente. Como diz a música: “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui…” E olha, caminhei demais, viu?! Em 365 dias a minha vida deu um giro de 360º e me mostrou uma coisa: tudo passa! Eu vivi um mix de sensações e eu podia muito bem ter desistido e ter me entregado para a doença, mas eu pensei bem e não dei o braço a torcer, apenas chutei um câncer lazarento para bem longe daqui e posso dizer bem plena que eu venci! 

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Beijos,

Bel ❤️