Quanta vida cabe em um ano?

Vamos lá, quanta vida cabe em um ano?

Em um ano vivi numa montanha russa. Eu me achava frágil. Até que descobri um câncer de mama aos 20 anos, essa foi maior provação que já passei. Me redescobri e vi que sou forte e mais capaz do que eu imaginava. Vou fazer uma breve retrospectiva: fiz 16 qts venosas, fiquei internada 2 vezes, entrei no centro cirúrgico 3 vezes, fui furada inúmeras vezes, fiz inúmeros exames, passei por uma mastectomia radical bilateral (uma das partes mais difíceis, pois eu fui mutilada), vivi muitos altos e baixos, fiquei careca e ganhei 18kg a mais na balança. Por um tempo deixei de lado a minha rotina de estudos, vida social e sonhos de uma jovem da minha idade e fui imersa em um universo totalmente diferente do meu e esse universo incluía consultas, exames, medicações, quimioterapias e o medo constante da morte, o estigma de câncer e morte era muito forte para mim. Naquele momento a minha maior preocupação foi sobreviver. E a menor das preocupações foi ficar careca, inchada e com o rosto deformado. Algumas pessoas saíram da minha vida, mas pessoas muito especiais chegaram e vieram para ficar.

Fiz amigos para a vida, chorei, sorri, tive dor, tive medo (e MUITO), tive compulsão por comer (por conta de tanto corticoide que eu tomei). Mas eu superei tudo isso, já perdi 10 kg, não tenho mais doença dentro de mim, meus cabelos voltaram a crescer, atualmente faço quimio oral – já foram 588 comprimidos! Faltam só 84 – e hoje sou uma nova Isabel. Aprendi sob duras penas muitas coisas que eu levaria anos para entender, mas eu sou grata porque aprendi a ser resiliente. Como diz a música: “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui…” E olha, caminhei demais, viu?! Em 365 dias a minha vida deu um giro de 360º e me mostrou uma coisa: tudo passa! Eu vivi um mix de sensações e eu podia muito bem ter desistido e ter me entregado para a doença, mas eu pensei bem e não dei o braço a torcer, apenas chutei um câncer lazarento para bem longe daqui e posso dizer bem plena que eu venci! 

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Beijos,

Bel ❤️

Relação Médico x Paciente – Dia do Oncologista | Carta Aberta ao meu Onco!

Quando tive o meu diagnóstico há quase um ano atrás eu estava totalmente perdida, mas com a graça de Deus os meus padrinhos me levaram até o Dr. João. Eu cheguei no Dr. João desesperada, sem esperanças, muito assustada e achando que estava com o meu tempo de vida contado, afinal eu nem sabia ao certo a dimensão do problema que eu teria que enfrentar. O Dr. João me mostrou que o que eu faria seria um tratamento curativo e, desde então, ele cuidou de mim da melhor maneira possível.

Depois de receber o meu diagnóstico de uma maneira tão desumana – por outro profissional – eu pude ter o privilégio de ser muito bem acolhida pelo Dr. João que é um profissional excepcional, humano, amoroso, atencioso, extremamente inteligente, do bem… Eu poderia passar uma manhã inteira escrevendo elogios sobre ele, mas posso adiantar que ele é tudo isso que eu disse e muito mais! Enfim, só tenho a agradecê-lo, pois poucos têm a oportunidade de ter acesso à profissionais como ele.

Embora o Dr. João seja sempre mais radical comigo (ele é o meu malvado favorito rs), eu sei que ele só faz mais do que o possível para que eu fique bem e para que essa história de câncer não me atormente nunca mais. Eu sempre questiono tudo, pois isso faz parte da minha essência enquanto ser humano, mas aceito muito bem as ordens do Dr. João no que diz respeito à minha saúde… É que ele tem poder de veto em várias das minhas decisões! Eu gosto tanto dele que por mim, além de masto e onco ele poderia ter todas as outras especialidades possíveis. Os outros médicos que me perdoem, mas para mim ele é um oráculo e eu confio em tudo o que ele diz. Essa confiança do paciente para com o médico é essencial.

Me acostumei a ver o Dr. João muitas vezes durante esse quase um ano de tratamento, seja no Cettro, seja no Hospital (quando estive internada, quando coloquei e tirei o cateter, quando passei pela mastectomia…) e logo logo essa parte mais densa do meu tratamento irá acabar e os nossos encontros serão menos frequentes. Por um lado isso é muito bom, porque quer dizer que eu estou “livre” de algumas partes do tratamento e entrarei para a famosa remissão, por outro lado é bem chato, porque eu o verei menos e criei um vínculo com ele e com o pessoal do Cettro.

Certamente, ter passado pelo câncer com os funcionários do Cettro e com o Dr. João tornou tudo mais leve. Acredito nisso porque eles colocam amor (muito amor) em tudo o que fazem. E, querendo ou não, nessa fase de provação que é o câncer, nós nos tornamos muito dependentes daqueles que estiveram ao nosso lado. Nunca vou me esquecer o fato de que o Dr. João segurou a minha mão em um dos momentos mais difíceis desses meus 21 anos de idade: a mastectomia, lembro-me de adormecer com ele e com minha madrinha ao meu lado. Sou grata, eternamente grata.

Então, o que fica aqui é a minha eterna gratidão ao Dr. João Nunes!!!! Na minha humilde opinião ele é o melhor oncologista do mundo! Eu realmente sinto um carinho e uma admiração muito grande por ele, não tenho nem dimensões para explicar isso… Para mim, ele é um exemplo de profissional, homem, ser humano, além de ser um dos grandes responsáveis por ter me deixado aqui, cheia de vida, cheia de saúde e mais sonhadora do que nunca! Eu jamais trocaria de oncologista, essa é uma das maiores certezas que eu tenho.

Obrigada, Dr! Por todo o cuidado, por me dar esperanças, por salvar a minha vida e por ter me deixado com muita saúde! Parabéns pelo seu dia! Continue inspirando muitas pessoas e salvando muitas vidas por aí. You are the best!!!! ❤️

Beijos,

Isabel ❤️

Que venha 2018!

2017 foi um ano bem intenso e tenso! Me vi inserida nos mais diversos contextos e nas situações que eu menos esperava, mas que de alguma forma, serviram de aprendizado. Tenho a sensação de que amadureci alguns anos em um ano.

Conheci muita gente incrível e percebi o quanto sou rodeada de gente do bem e que me quer bem. Me vi com uma doença séria e achei que estivesse com os dias contados, mas de uma forma surpreendente me descobri mais forte do que eu imaginava e tenho conseguido encarar toda essa situação com leveza e positividade. Me aproximei mais de Deus, e me sinto amparada por Ele o tempo todo. Estou bem mais próxima da minha família e valorizo a cada dia a importância dessa união. Algumas pessoas se afastaram, outras se aproximaram, o que me fez ver quem realmente está ao meu lado. Me decepcionei também, mas ficou a lição de que eu sei exatamente o tipo de pessoa que quero dentro ou fora da minha vida. Fiz planos que não se concretizaram e me chateei por isso, mas ficou claro que está tudo nos planos de Deus.

Chorei, sorri, tive medo, senti dor, senti alívio, mas em todos esses momentos mantive fé. Aprendi a superar as adversidades, a manter a fé independente das circunstâncias, a ser resiliente, a persistir, a ter paciência e a valorizar as pequenas coisas que antes eu deixava passar batido.

A verdade é que o câncer me fez abrir os olhos, e eu sinto que se fosse como um despertar em mim para a vida, sinto muita vontade de viver,  tenho planos e projetos em mente, sinto vontade de ajudar outras pessoas, de estudar muito mais, de ver o mundo e de poder fazer a diferença. Quando você passa por uma doença que exige e mexe tanto com você, nada parece ser como antes, e comigo é assim, embora eu tenha apenas 21 anos, tenho a impressão de que o que eu já vivi não foi da maneira que eu deveria, e o meu desejo para  o próximo ano é de viver mais intensamente, com gratidão por cada mínimo detalhe,  com muita saúde, amor, luz e muita positividade. Que 2018 traga a minha cura e me surpreenda positivamente!

Beijos,

Bel ❤️