Recuperação da Mastectomia: um dia de cada vez

Todos os dias eu exercito a paciência porque a recuperação da mastectomia não é fácil, além disso, é um processo demorado que exige muita calma.  Eu imaginei que depois de quase 40 dias de cirurgia eu já estivesse me sentindo muito bem… Mas não é bem assim, o processo de cicatrização tem sido muito lento e eu ainda não me sinto a Isabel que eu era antes de ter tido câncer (pelo menos no quesito disposição). A Isabel de antes tinha energia, tinha disposição de sobra e conseguia se levantar ou se deitar sem reclamar de dores nas pernas e no tornozelo. Acho que ainda deve ter resquícios de quimioterapia em mim, porque não pode ser normal a forma que tenho me sentido nos últimos dias. Me sinto enferrujada, não vejo a hora de ser liberada para praticar uma atividade física e me sentir com a idade que eu realmente tenho.

Quanto aos movimentos dos meus braços, sinto que eles estão ótimos. A fisioterapia me ajudou demais, ainda sinto um pouco de dormência e, vez ou outra, sinto pontadas nos braços e nas mamas, mas a médica e a fisioterapeuta me disseram que isso é bom, quer dizer que a sensibilidade está voltando.

Bom, o que eu preciso é que o local da cirurgia cicatrize logo para que eu continue o resto do tratamento. A minha radioterapia foi substituída por quimioterapia oral. Eu ainda não sei bem os detalhes, só saberei de tudo certinho quando eu estiver recuperada dessa mastectomia. O Dr. João disse que só posso começar essa quimio oral depois disso, então estou aqui aguardando. Como sempre.

A máxima dos meus dias têm sido: paciência. É isso, um dia de cada vez.

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Beijos,

Bel ❤️

Depois da Mastectomia…

Hoje tem exatamente um mês que eu passei pela mastectomia.

A mastectomia pode ser associada ou não à retirada dos gânglios linfáticos (esvaziamento axilar), isso depende de cada caso. No meu caso, como havia o comprometimento dos linfonodos do lado esquerdo, o procedimento foi associado ao esvaziamento axilar do lado esquerdo e retirada do linfonodo sentinela do lado direito.

Por conta do esvaziamento axilar os meus movimentos ficaram bem limitados inicialmente, além disso, eu sentia dor e dormência nos braços. A cirurgiã plástica prescreveu sessões de fisioterapia e de drenagem linfática. Comecei a fazer fisioterapia e drenagem com a Raquel Rosa, uma profissional que é especializada e capacitada para lidar com pacientes que tiveram câncer de mama.

Graças à competência e ao trabalho dela, tenho me recuperado bem, estou conseguindo me movimentar, minhas dores minimizaram muito e, também, minhas mamas já possuem uma forma que quase me agrada. A Raquel tem muito cuidado comigo, e eu vejo que ela ama o que faz. O meu coração se enche de amor e de alegria porque eu tenho o privilégio de cruzar com profissionais maravilhosos e excelentes como ela.

Três semanas atrás eu estava muito insatisfeita, estava me achando amassada e estranha, hoje eu já lido melhor com isso. Tive que esperar e tudo está se ajeitando. Os pontos estão dando um pouco de trabalho para cicatrizar, abriram duas vezes e a médica os refez nessas duas vezes, na terceira ela considerou uma nova abordagem e por isso eles estão agora com uma medicação e cobertos por gaze + esparadrapo. Quando abriram a primeira vez entrei em desespero, mas o Dr. João e a Dra. Marcela me explicaram que isso acontece em 20% dos casos. Essa fase do tratamento é MUITO delicada, é necessário ter muita paciência e a cabeça no lugar para enfrentar essa nova aparência – que é passageira, pois falta a segunda parte da cirurgia – e as possíveis intercorrências no meio do caminho.

Já disse aqui várias vezes e vou dizer de novo: não, não é fácil. Este tem sido o momento que me sinto mais frágil, ansiosa e emotiva. Já chorei, já me desesperei, mas agora já estou mais tranquila. Me sinto até culpada por ter me desesperado no início porque foi avisado 300 vezes que resultado inicial é inicial e não final. Agora eu tenho que me recuperar completamente para os próximos passos.

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A fisioterapeuta me presenteou com essa almofada fofa e super comportável que além de tudo é super útil, pois me ajudou bastante aliviando o incômodo do pós-cirúrgico.

Achei válido colocar o cartãozinho do projeto (veio junto com a almofada), achei lindo e super nobre o propósito! Por mais pessoas assim no mundo! 

Beijos,

Bel ❤️

Mastectomia e Pós-Cirúrgico

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Fiz a mastectomia no dia 2 de fevereiro e desde então estou me recuperando em casa.

Só tenho a agradecer aos meus médicos: o Dr. João Nunes e a Dra. Marcela Cammarota, pois eles e toda a equipe que os acompanham foram extremamente zelosos comigo. Também sou muito grata à minha madrinha que se dispôs a acompanhar e ficar ao meu lado dentro do centro cirúrgico do início ao fim do procedimento cirúrgico, isso me deixou muito, muito feliz.

Como sempre falo a verdade aqui no blog, me sinto na obrigação de dizer que não é nada fácil passar pela mastectomia. Muitas mulheres me disseram que não sentiram dor após a mastectomia e que essa fase era mais tranquila, mas não é não. Dói física e emocionalmente. Dói muito!!! Eu fiquei tranquila com as quimioterapias porque eu sei que unha cresce, cabelo cresce, a pele melhora depois, peso eu posso perder… Mas e as mamas que foram mutiladas? Tudo bem que já foi colocado silicone, mas é complicado…

Sei que o Dr. João e a Dra. Marcela, fizeram o máximo para que as cicatrizes fossem o menor possível, pois eles sabem que eu tenho 21 anos, que ainda estou no início da minha vida adulta e que tenho muita vaidade, por isso, me sinto privilegiada por poder ser paciente deles, entendo que o melhor foi feito. Embora todos tenham me dito que é um resultado bom, eu esperava o resultado de uma cirurgia estética, mas não é uma cirurgia estética nem de perto, foi a reconstrução da mutilação que o meu corpo sofreu. Tem sido muito duro, não é nada fácil para mim. Eu tenho muitas restrições e os meus movimentos estão bastante limitados.

Eu tinha um corpo antes disso tudo, e era um corpo que eu gostava. Hoje, eu tenho um corpo que estou aprendendo a conviver, pois ele foi mutilado. Não encontro outra palavra, pois a mastectomia não é nada menos que uma mutilação. É fato que eu nunca mais vou ter as mamas de antes e eu ainda estou digerindo isso. A angústia é grande, o medo também, pois eu me olho todos os dias e tenho medo de que não fique bonito, porque está achatado – isso, porque as próteses foram colocadas atrás do músculo peitoral, e a reação natural do músculo é a de ‘expulsar’ esse corpo estranho que são as próteses, mas elas irão se acomodar com o tempo -, estou com pontos e ainda está inchado… Além disso, com o esvaziamento da axila eu tenho restrições com o braço esquerdo pro resto da vida (e eu sou canhota!!!) para evitar linfedema.

A palavra que mais escuto é paciência, pois preciso me recuperar para a próxima cirurgia e para o resto do tratamento. Enquanto isso eu estou me recuperando em casa, tem sido um período muito delicado de total dependência da minha mãe, que tem me ajudado a tomar banho e nas demais tarefas diárias. Minha tia Rejane – irmã da minha mãe – também tem me ajudado muito emocionalmente, pois sempre tem palavras de apoio e de compreensão. Preciso ficar de repouso, e como eu quero voltar a viver minha vida logo, estou seguindo todas as recomendações médicas e não estou recebendo visitas até me sentir bem de verdade.

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Beijos,

Bel ❤️