Mastectomia e Pós-Cirúrgico

Fiz a mastectomia no dia 2 de fevereiro, e, desde então estou me recuperando em casa. Só tenho a agradecer aos meus médicos, o Dr. João Nunes e a Dra. Marcela Cammarota, pois eles e toda a equipe que os acompanham foram extremamente zelosos comigo. Também sou muito grata à minha madrinha que se dispôs a acompanhar e ficar ao meu lado dentro do centro cirúrgico do início ao fim do procedimento cirúrgico, isso me deixou muito, muito feliz.

Como sempre falo a verdade aqui no blog, me sinto na obrigação de dizer que não é nada fácil passar pela mastectomia. Muitas mulheres me disseram que não sentiram dor após a mastectomia e que essa fase era mais tranquila, mas não é não. Dói física e emocionalmente. Dói muito!!! Eu fiquei tranquila com as quimioterapias porque eu sei que unha cresce, cabelo cresce, a pele melhora depois, peso eu posso perder… Mas e as mamas que foram mutiladas? Tudo bem que já foi colocado silicone, mas é complicado…

Sei que o Dr. João e a Dra. Marcela, fizeram o máximo para que as cicatrizes fossem o menor possível, pois eles sabem que eu tenho 21 anos, que ainda estou no início da minha vida adulta e que tenho muita vaidade, por isso, me sinto privilegiada por poder ser paciente deles, entendo que o melhor foi feito. Embora todos tenham me dito que é um resultado bom, eu esperava o resultado de uma cirurgia estética, mas não é uma cirurgia estética nem de perto, foi a reconstrução da mutilação que o meu corpo sofreu. Tem sido muito duro, não é nada fácil para mim. Eu tenho muitas restrições e os meus movimentos estão bastante limitados.

Eu tinha um corpo antes disso tudo, e era um corpo que eu gostava. Hoje, eu tenho um corpo que estou aprendendo a conviver, pois ele foi mutilado. Não encontro outra palavra, pois a mastectomia não é nada menos que uma mutilação. É fato que eu nunca mais vou ter as mamas de antes e eu ainda estou digerindo isso. A angústia é grande, o medo também, pois eu me olho todos os dias e tenho medo de que não fique bonito, porque está achatado – isso, porque as próteses foram colocadas atrás do músculo peitoral, e a reação natural do músculo é a de ‘expulsar’ esse corpo estranho que são as próteses, mas elas irão se acomodar com o tempo -, estou com pontos e ainda está inchado… Além disso, com o esvaziamento da axila eu tenho restrições com o braço esquerdo pro resto da vida (e eu sou canhota!!!) para evitar linfedema.

A palavra que mais escuto é paciência, pois preciso me recuperar para a próxima cirurgia e para o resto do tratamento. Enquanto isso eu estou me recuperando em casa, tem sido um período muito delicado de total dependência da minha mãe, que tem me ajudado a tomar banho e nas demais tarefas diárias. Minha tia Rejane também tem me ajudado muito emocionalmente, pois sempre tem palavras de apoio e de compreensão. Preciso ficar de repouso, e como eu quero voltar a viver minha vida logo, estou seguindo todas as recomendações médicas e não estou recebendo visitas até me sentir bem de verdade.

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Foto: Sabrina Cavalcante
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Foto: Sabrina Cavalcante

 

Beijos,

Bel ❤️

 

Dias de Ansiedade

Eu não escolhi ter câncer, não acordei um belo dia e disse: hoje vou ter câncer, vou passar por várias sessões de quimioterapia, vou sofrer mudanças violentas no meu corpo, vou ter minha rotina e minhas atividades interrompidas e ainda passarei por uma mastectomia. Não, eu não escolhi. Eu também não pude ter controle sobre tudo o que eu passei, porque é uma doença que não depende total e exclusivamente de mim.

A única coisa que eu pude ter controle foi a minha postura diante da situação durante todo esse tempo. Eu tive duas opções: passar por um câncer de maneira negativa, chorando e me lamentando OU encarar o câncer de frente de maneira positiva, com fé, levando aprendizado de todos os momentos e confiando nos profissionais que estão ao meu lado. E eu escolhi a última opção, o que é claro para quem me acompanha, mas isso não quer dizer que eu não tenha tido os meus momentos de medo e de angústia.

Sexta-feira (02/02) irei passar pela cirurgia. A mastectomia não é uma cirurgia simples ou pequena, não é uma cirurgia estética também, o que me gera certa ansiedade já que está tão perto. Eu não tenho medo de passar pelo procedimento cirúrgico, eu confio de olhos fechados no Dr. João, ele é demais, é humano e muito competente. Também senti muita confiança na cirurgiã plástica, a Dra. Marcela, não poderia estar em mãos melhores. O que me deixa apreensiva é o que vem depois: o resultado e como vou reagir a ele, além do pós-operatório que me parece ser bem doloroso física e emocionalmente. Mas, visto que passei por tudo tão bem, darei o meu melhor para que seja assim em relação à cirurgia também.

Talvez eu demore um pouco para postar no blog novamente, pois não poderei levantar os braços, fazer esforço e movimentos bruscos por um tempo, mas assim que der, venho aqui e conto tudo.

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Foto: Sabrina Cavalcante
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Foto: Sabrina Cavalcante
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Foto: Sabrina Cavalcante

 

Que Deus proteja a mim e a todos também.

Beijos,

Bel ❤️