PICC, meu novo cateter

Fazendo a quimioterapia hoje (22/11) pelo meu novo acesso

Consegui me recuperar bem nos últimos dias e me sinto bem melhor, graças a Deus!!

Hoje tive consulta cedinho no Cettro e felizmente estava tudo certo. Dr. João finalmente me liberou para a quimioterapia, depois de quase três semanas! Antes, porém, fui submetida a novo procedimento de acesso intitulado Cateter Central com Inserção Periférica (PICC). Este novo cateter substituiu o porth-a-cath. As vantagens dele são: evitar repetidas punções das veias (toda quimioterapia será feita através dele), longa permanência, menor risco de infecção (mas ainda exige cuidados), não precisa ir ao centro cirúrgico (foi feito dentro do próprio ambulatório do Cettro por enfermeiros capacitados).

Como eu fiquei internada na última semana e sofri bastante com repetidas injeções e coletas de sangue, fiquei bem fragilizada e muito mais sensível à dor. Meus braços já estão bem doloridos, as veias estão fragilizadas e finas, um braço ainda está roxo e meu pulso direito está bem dolorido… Eu tenho tentado ser forte e procuro suportar, sem reclamar, todos os procedimentos a que sou submetida, mas confesso que senti muito medo para colocar o cateter, afinal de contas ninguém gosta de sentir dor e esse era o meu medo.

Bem, embora seja um procedimento realizado sob anestesia, guiado por ultrassom e por profissionais habilitados e extremamente cuidados, ainda senti um incômodo e o medo que eu estava sentido intensificou a dor, que é bem subjetiva. A verdade é que me bateu um leve desespero em saber que um novo cateter, de aproximadamente 40cm foi introduzido na minha veia, dentro do meu braço e vai ficar por lá por alguns meses. Mas, enfim, venci essa fase também. Passei pelo procedimento (não sem chorar um pouquinho) e depois fui para a quimioterapia.

Depois de colocar a PICC (é no feminino porque é apenas um acesso) fiz a quimioterapia normalmente nele. É tão confortável quanto o porth-a-cath, a diferença é que fica no braço esquerdo, visível, coberto por uma telinha. Para tomar banho eu devo envolver o braço em insufilm (filme pvc) e ter bastante cuidado para não molhar. De resto, posso continuar “vivendo minha vida normalmente”, mas sempre com prudência, é lógico.

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Já em casa com a PICC “protegida” por uma telinha 🙂

É isso!

PICC feita! ✅

Beijos,

Bel ❤️

Aprendendo a driblar os efeitos da QT branca (Taxol)

Todo mundo que passa pela quimioterapia sofre com os efeitos colaterais, efeitos esses, que variam de pessoa para pessoa. Às vezes podem ser mais fortes ou mais leves. Conheço pessoas que passam pelo mesmo protocolo que eu e que sentem sintomas diferentes. Os efeitos colaterais são muito particulares, muitas vezes o que eu sinto, outra pessoa que passa pelo mesmo não sente ou sente de maneira mais  amena e vice-versa.

Percebi que nessa segunda fase, com o taxol (já passei pelo quinto ciclo da quimioterapia branca – faltam 7), eu fico um pouco mais abatida três dias depois de receber a medicação. Sinto um pouco de fadiga e cansaço no mesmo dia, mas nada que torne minha rotina impossível, porém é no terceiro dia que realmente fico mal. Toda semana sinto um sintoma diferente e vou descobrindo aos poucos o que fazer, posso afirmar que toda semana é uma novidade e sou pega de surpresa em relação aos efeitos da quimioterapia, não tem uma semana que seja igual.

Aos poucos tenho aprendido como contornar os efeitos colaterais.

Pele, unhas, alopecia, boca, garganta, enjoos, gengiva sensível, inchaço, dores nos ossos… o corpo como um todo sofre, e não é pouco, mas tenho tomado muito cuidado e faço tudo direitinho para que eu possa ter qualidade de vida durante todo o tratamento, e tem funcionado muito bem.

Pele: a pele fica extremamente sensível, o sol incomoda, água quente faz arder, coça, além de ficar ressecada. Tentei usar alguns cremes, mas todos sem sucesso, até que encontrei o Cetaphill e foi amor à primeira vista. É sem fragrância (o que é muito importante, infelizmente não consigo usar mais perfume, me enjoa bastante), hipoalergênico, e hidrata muito bem, dá sensação de conforto.

Rosto: assim como a pele do corpo, a pele do rosto sofre igualmente, procuro lavar o rosto com sabonete de coco da Granado e uso protetor solar FPS 70 Anthelios Airlicium da La Roche Posay todos os dias. Procuro lavar meus pincéis de maquiagem uma vez por semana, além de higienizar sempre os produtos que uso. Presto muita atenção na validade da maquiagem e lavo o rosto muito bem depois. Antes de passar maquiagem utilizo a Água Micelar da L’Oréal, é sem álcool e limpa perfeitamente a pele. Para retirar a maquiagem também utilizo essa água micelar. Todo cuidado é pouco.

Unhas: as minhas unhas, além de sensíveis, ficaram escuras e ressecadas, quase que pretas (tanto as dos pés, quanto as das mãos). Não consigo pintar, tirar cutícula nem pensar, usar sapato fechado também não. Para que não fiquem tão horrorosas quanto já estão, uso um redutor de cutículas da Granado – S.O.S. Cutículas, tem resolvido muito bem. Eu acho bem milagroso, quase não tenho mais cutículas e, embora estejam feias, elas estão hidratadas.

Alopecia: esse é clássico, não tem o que fazer. Quando meu cabelo começou a cair eu sentia muita dor e sensibilidade no couro cabeludo, um simples toque na minha cabeça doía. Usei pomada de xilocaína diretamente na cabeça e o problema foi extinto, foi perfeito. Agora que caiu tudo eu não sinto mais nada, só lavo minha cabeça com  sabonete hipoalergênico. Não uso rímel para preservar os cílios, passo só delineador para dar uma destaque nos olhos, as sobrancelhas caíram um pouco, passo apenas um gel próprio para preencher as falhas, é melhor que lápis ou sombra, fica mais “natural”.

Lábios ressecados: uso qualquer protetor labial que eu tenho e resolve bem.

Enjoos: até que não tenho sentido muito nessa segunda fase, mas procuro beber bastante gatorade de limão, água de coco ou água. Como em poucas quantidades e várias vezes, mesmo enjoada eu sinto bastante fome e dou preferência às frutas, o importante é não deixar de comer.

Garganta: depois das quimios eu fico com um incômodo terrível na garganta, geralmente antes de dormir tomo um chá de Vick, chá de mel e limão ou chá de hortelã e me dá um alívio imediato.

Gengiva sensível/aftas: minhas gengivas estão sensíveis, mas nada impossível de conviver, uso escova pequena de cerdas macias. Não tive problemas com aftas na segunda fase do tratamento, mas o Dr. João me receitou Chá de Barbatimão para quando eu tivesse qualquer probleminha assim, só posso dizer só uma coisa: é milagroso. Sumiam com minhas aftas.

Inchaço: outro clássico, próprio do tratamento e do uso dos corticóides. Esse é realmente o único efeito colateral que não tenho feito absolutamente nada, a cada dia que passa fico mais inchada, todos me dizem que depois volta tudo ao normal.

Dores nos ossos/dores no corpo/cansaço: repouso, repouso e repouso, além de beber bastante líquido. Se tiver bem incômodo, tomo um analgésico.

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Meu antes e depois, a 1ª foto é de junho e a 2a de outubro. Até o formato do meu rosto mudou. Tem gente que me diz que é exagero, mas tá aí a prova! rsrs 

Beijos,

Bel ❤

Quimioterapia x Alimentação

Quando as pessoas falavam em câncer logo vinha à minha mente que todo paciente oncológico é debilitado, magro e frágil. Passando por todo esse processo e sentindo tudo na própria pele, vejo que não é bem assim.

Antes de iniciar meu tratamento a preocupação geral era de que eu não poderia perder peso para não comprometer minha saúde, pois era muito magra. Iniciei o tratamento pesando apenas 41kg!

Nunca fui de comer muito, sempre comi em quantidades que considerava o suficiente e desde sempre fui acostumada a ter uma alimentação saudável, mas adaptada ao meu gosto. Ao iniciar meu tratamento, todavia, percebi que passei a sentir muita fome. A todo tempo sinto vontade de comer e parece que quanto mais como, mais fome tenho. Até já me perguntei se isso não é algum tipo de compulsão, penso que não é normal, pois se pudesse, passaria o dia inteiro comendo.

Desde que me entendo por gente não gosto de gordura, fast food em excesso, carne vermelha, laticínios e derivados. Mas agora, tem dias que acordo e a primeira coisa que me vem no pensamento é um sanduíche, algum carboidrato ou algo hipercalórico. Não é à toa que em pouco mais de dois meses de tratamento ganhei 10kgs. Boa parte é inchaço e depois tudo volta ao normal, eu já sei.

Nessa fase de tratamento, Dr. João me disse que preciso evitar o açúcar, não preciso ainda encarar as restrições alimentares que farão parte da minha vida no futuro, uma vez que preciso estar forte e saudável.

Consultei uma nutricionista que também já passou por um câncer, e de acordo com a dieta enviada por ela procedi a algumas alterações na minha alimentação, tais como:

  • Aumentei o consumo de frutas, verduras e legumes (só os como em casa porque todos devem ser bem lavados e higienizados);
  • Aumentei a ingestão de água – embora ainda não esteja consumindo na quantidade ideal -, é superimportante para eliminar a toxicidade da quimioterapia no corpo;
  • Cortei refrigerantes e sucos industrializados;
  • Aos poucos venho tentando cortar o açúcar. Tem sido um pouco difícil, pois sou quase uma formiga;
  • Dou preferência aos alimentos orgânicos, os quais são produzidos com técnicas que respeitam o meio ambiente e visam a qualidade do alimento e são, especialmente, livres de agrotóxicos;
  • Também dou preferência a carnes magras e peixes, sempre bem cozidos, e por escolha pessoal só consumo frango orgânico;
  • Fui compelida a deixar de consumir sushi (que adoro), carnes malpassadas e alimentos processados;

Nos dias em que bate a vontade de comer algo diferente, óbvio que eu como, não me privo, mas sempre com prudência.

Confio inteiramente no meu médico, no que ele diz e no que tem embasamento científico. Não levo em consideração tudo o que publicam sobre alimentação e dietas destinadas a quem tem câncer. Descobri que se fosse levar ao pé da letra, ficaria paranoica e me alimentaria só de semente e água. Não mereço, penso que o mais importante é saber balancear e ter autocontrole na hora de me alimentar, uma alimentação saudável é uma grande aliada do tratamento.

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Beijos,

Bel ❤