Metamorfoses Necessárias

É engraçado como Deus reserva planos totalmente diferentes dos nossos para nossas próprias vidas. Na verdade mesmo, eu me imaginava levando uma vida normal como a de qualquer jovem da minha idade: faculdade, estudos, viagens  e caminhando para minha vida profissional.

Se eu não passasse por nada do que eu passei, com toda a certeza do mundo eu não seria a Isabel que sou hoje. Sempre fui muito intensa, do tipo de pessoa que ama ou odeia, que é 8 ou 80, mas hoje tenho muito mais filtro, tenho muito mais discernimento e sei que não devo me desesperar por situações e pessoas que não merecem sequer que eu pense nelas, quanto mais o meu desgaste físico e emocional. Além disso, também sei que só está ao meu lado quem realmente quer o meu bem, torce por mim e que merece a minha companhia. Eu não estou sendo pretensiosa, pelo contrário, o nome disso é amor-próprio.

Se eu tivesse a opção de apagar ou mudar o que eu vivi, certamente eu não mudaria, pois hoje eu sei que eu precisei passar por tudo isso. Eu faço uma analogia entre a Isabel que sou hoje e a metamorfose de uma borboleta: antes de tudo uma lagarta dentro de um casulo que passou por transformações necessárias que resultou em quem sou hoje.  🦋

Beijos,

Bel ❤️

Andei pensando…

Queria agora, nesse exato momento estar no meu tão sonhado intercâmbio, mas estou aqui digitando sobre essa experiência maluca que é o câncer e o pós câncer. Eu deveria me preocupar com as minhas provas que estão chegando, mas na verdade mesmo me preocupo muito mais com meus próximos exames. Queria muito conseguir focar nas minhas leituras da faculdade, mas o que mais tenho lido e consigo focar com facilidade desde o ano passado é sobre tudo o que envolve o mundo do câncer, mastectomia e bulas de medicamento.

O Dr. João e a minha mãe se tornaram alguns dos meus ídolos. E a minha vida social? Mais agitada impossível, sempre tem uma ida ao Cettro ou alguma consulta na agenda. E se eu sinto frio na barriga porque alguma coisa diferente vai acontecer? Claro que sinto, toda vez que me recordo como era passar pelas quimioterapias ou até mesmo quando sinto alguma dor diferente porque logo já me vem mil pensamentos…

Sim, eu tenho fé, acredito em Deus e sei que vai ficar tudo bem, mas também sei que ter medo e ficar apreensiva é normal, afinal, eu sou humana, passei por diversas situações que mexeram e mexem com o meu emocional até hoje.  O meu ideal de vida sempre foi ser bem sucedida em todos os campos da minha vida e o de conhecer o mundo, mas agora, além disso tudo, o que mais quero e tenho como principal ideal é me ver livre de tudo isso e de ter a certeza de que estou curada.

Às vezes eu olho para as pessoas da minha idade e vejo que todos possuem prioridades e preocupações diferentes das minhas e, por um momento eu também queria que fosse assim comigo… Foi duro ter que amadurecer tanto por conta de uma doença que me fez perceber o quão somos frágeis. Eu tento olhar pelo lado positivo e vejo que sou grata e privilegiada por poder ter tirado coisas boas dessa fase da minha vida.

Sinto que Deus chegou com um propósito maior que foi o de me fazer entender que eu não controlo nada, além de me fazer enxergar o que realmente importa. É um processo lento e doloroso, há dias que eu até “esqueço” por algum momento e isso tudo dói bem menos, mas também há dias – como hoje – que dói um pouquinho mais. O jeito é aprender com tudo isso e ser melhor a cada dia que passa, não é? Me entregar nunca foi uma opção.

Também nunca me esqueço de algo que minha mãe sempre me diz: “nenhuma folha cai de uma árvore sem a permissão de Deus.” Isso me conforta, porque eu sei que tudo tem um motivo maior, também acredito que a vida me reserva muitas coisas incríveis!

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Beijos,

Bel ❤️

Dias de Ansiedade

Eu não escolhi ter câncer, não acordei um belo dia e disse: hoje vou ter câncer, vou passar por várias sessões de quimioterapia, vou sofrer mudanças violentas no meu corpo, vou ter minha rotina e minhas atividades interrompidas e ainda passarei por uma mastectomia. Não, eu não escolhi. Eu também não pude ter controle sobre tudo o que eu passei, porque é uma doença que não depende total e exclusivamente de mim.

A única coisa que eu pude ter controle foi a minha postura diante da situação durante todo esse tempo. Eu tive duas opções: passar por um câncer de maneira negativa, chorando e me lamentando OU encarar o câncer de frente de maneira positiva, com fé, levando aprendizado de todos os momentos e confiando nos profissionais que estão ao meu lado. E eu escolhi a última opção, o que é claro para quem me acompanha, mas isso não quer dizer que eu não tenha tido os meus momentos de medo e de angústia.

Sexta-feira (02/02) irei passar pela cirurgia. A mastectomia não é uma cirurgia simples ou pequena, não é uma cirurgia estética também, o que me gera certa ansiedade já que está tão perto. Eu não tenho medo de passar pelo procedimento cirúrgico, eu confio de olhos fechados no Dr. João, ele é demais, é humano e muito competente. Também senti muita confiança na cirurgiã plástica, a Dra. Marcela, não poderia estar em mãos melhores. O que me deixa apreensiva é o que vem depois: o resultado e como vou reagir a ele, além do pós-operatório que me parece ser bem doloroso física e emocionalmente. Mas, visto que passei por tudo tão bem, darei o meu melhor para que seja assim em relação à cirurgia também.

Talvez eu demore um pouco para postar no blog novamente, pois não poderei levantar os braços, fazer esforço e movimentos bruscos por um tempo, mas assim que der, venho aqui e conto tudo.

Que Deus me proteja.

Beijos,

Bel ❤️