Sobre viver intensamente depois de um câncer

Há dois anos eu jamais imaginei que minha vida pudesse voltar ao normal.

Na época do diagnóstico a minha vida deu um giro de 360º. Eu me sentia angustiada e receosa com o que o futuro podia me reservar. Quando as pessoas me diziam: “Bel, isso vai passar” eu custava horrores a acreditar… Eu acreditava mesmo que só teria mais alguns dias ou poucos meses de vida. Mas os dias e os meses passaram… E hoje eu sou a prova viva disso.

Quando recebi o diagnóstico eu ficava horas e horas na internet atrás de mulheres e informações que pudessem me encorajar e me inspirar de alguma maneira. Encontrei várias mulheres, mas nenhuma da minha idade. Aquilo me inquietava bastante, pois eu estava realmente diante do desconhecido. Naquele momento eu passei a entender o que representatividade realmente significa. Logo em seguida eu criei o blog, comecei a compartilhar minha rotina e a desabafar e, consequentemente, o blog acabou por se transformar num canal de trocas.

Agora, sempre recebo mensagens de meninas/mulheres jovens – geralmente na faixa dos 23 aos 26 anos –  me contando que foram diagnosticadas com câncer de mama e que eu tenho sido a primeira referência delas de superação e de inspiração. É muito gratificante saber que hoje eu posso ser para essas pacientes recém diagnosticadas o que eu não tive lá atrás…

Bom, os últimos meses foram uma correria, comecei um estágio na minha área, tive muitas provas na faculdade e acabei ficando com o tempo bem apertado. Mas não reclamo. Eu senti muita falta de viver essa correria enquanto estive em tratamento. Essa rotina faz com que eu me sinta viva e saudável. Continuo indo ao médico direitinho, faço os meus acompanhamentos e continuo tomando o Tamoxifeno e fazendo as aplicações mensais de Zoladex, isso não mudou e eu já me acostumei, faz parte da rotina.

Sim gente, tudo passa! Sou exaustiva nisso, mas é porque realmente passa mesmo. Aos pacientes que leem o meu blog ou que por ventura possam vir a ler: não desistam e não desanimem, pois existe muita vida depois do câncer! Mudamos física e mentalmente, mas para melhor. As cicatrizes fazem parte, são consequências da guerra que vencemos!

 E se antes eu era intensa, agora eu sou mais ainda. Com o câncer pude entender que não devo deixar nada para depois. A vida é agora!

imagem: pinterest

 Fiquei um tempinho sem aparecer aqui no blog, mas sempre leio e respondo as mensagens e o meu e-mail. Continuo atualizando o meu projeto (Câncer Sem Tabu) e o meu instagram.

Sim, tudo passa!!! Cabelo cresce de novo… e eu aproveito todas as fases! 

Com amor,

Bel ❤️

Compre um cropped e doe um lenço!

Com a chegada do Outubro Rosa a Verena Furtado (minha amiga) desenvolveu para a marca dela (@usecoeli) uma linha de croppeds na cor pink pensando em uma forma especial de conscientizar sobre a importância desse mês!

Especialmente para OUTUBRO cada top pink vendido pela Coeli, será doado um lenço para pacientes em tratamento oncológico, juntamente com o Banco de Lenços da Bel  – para quem não sabe eu arrecado lenços para doar para pacientes em tratamento oncológico – que posteriormente serão levados para mulheres que encontram-se em tratamento no HUB.

Para comprar o cropped é só entrar em contato com a Verena Furtado pelo Instagram da Coeli.

São três lindos modelos!!!

Eu já adquiri os meus! E você?

Beijos,

Bel 💕

Sobre o semestre que passou…

Quando eu decidi voltar para a faculdade nesse semestre eu pensei que seria realmente o melhor, afinal, eu estaria voltando para a minha vida com algumas adaptações e retomando a minha rotina de acordo com essa minha nova fase da vida. De fato, foi uma decisão correta, mas não considero que tenha sido tranquila,  exigiu bastante de mim, física e emocionalmente.

Embora eu estude numa universidade de renome, infelizmente vi e senti na minha pele que o quadro docente não é habilitado e capacitado para receber alunos das mais diversas condições, o que me deixou bastante pensativa e chateada… De quê adianta  profissionais com inúmeras formações e diplomas se não possuem o mínimo de humanidade e se não sabem ter um diálogo saudável?

A questão é a seguinte: voltar para esse mundo real não é fácil e às vezes pode ser bem frustrante, uma vez que ninguém quer saber se você é paciente oncológico ou não, ninguém quer saber se você está em tratamento ou não.  Não sei se todo esse meu tempo de tratamento me tornou uma pessoa mais sensível do que eu já era e que tem tanta empatia pelo próximo, mas pude enxergar o quanto falta o olhar para com o próximo e o quanto algumas pessoas andam sem amor no coração (é, sem amor mesmo, é o único termo que me vem à mente).

Tive o infortúnio de cruzar com profissionais no ambiente universitário totalmente insensíveis, mas passou. Fiz novos amigos na minha nova turma da faculdade, eles me acolheram e isso me deixou mais confortável. Foi um semestre complicado, que exigiu bastante de mim, talvez porque eu tenha saído de uma rotina só de tratamentos aonde todo mundo me tratou com todo o amor do mundo e logo em seguida tenha sido imersa em uma outra rotina que além de ter que conciliar com meu tratamento ainda exigiu bastante da minha atenção e da minha cognição. Estudei como nunca havia estudado antes, é que a minha mente não é mais a mesma depois do tratamento… Ando bem esquecida e tenho demorado a fixar os conteúdos. Tive que ler, reler e fazer exercícios várias e várias vezes, mas no final deu tudo certo. Deu tudo certo porque eu sei que fiz o meu melhor, sendo assim, saí com a consciência em paz, finalizei o semestre dando o meu máximo e estou de férias!

A boa nova é que com o câncer eu aprendi a lidar com muitas situações, a ter mais paciência com acontecimentos que antes me despertavam ansiedade e desespero. Hoje mesmo uma moça bateu na traseira do meu carro, mas não passou de um susto, não me machuquei, não me estressei, não fiquei desesperada. Se fosse antes do câncer eu teria entrado em total desespero, teria chorado, teria ficado muito brava. Hoje, eu apenas respirei fundo, desci do carro, vi que estava tudo bem, peguei o número da moça (caso eu visse posteriormente que tenha ficado algum estrago) e segui o meu caminho. Vida que segue. Logo depois, analisando tudo isso de fora, vi o quanto cresci como pessoa e senti orgulho de mim mesma, pois pude perceber que a vida tem dessas e que não precisamos nos desgastar com o que não merece o nossa atenção.

Enfim, assim vou seguindo a vida e os meus dias. Vou descansar nessas férias, colocar algumas pendências em dia e me preparar para o próximo semestre e para os próximos acontecimentos, continuo bem animada com o que está por vir. Falta pouco para o xeloda acabar, FINALMENTE!!!

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Beijos,

Bel ❤️