1 ano de diagnóstico, 7º ciclo de Xeloda e um susto: tudo na mesma semana

       Senta que lá vem textão.

    Essa vida pós câncer não é nada fácil. A verdade é que a minha vida está super corrida, as férias acabaram e minhas aulas voltaram, estou fazendo matérias a mais, tenho minhas consultas, meus projetos, a rotina da medicação e por aí vai… Agora imagina conciliar tudo isso? Pois é. Uma bagunça. Mas eu não reclamo, não reclamo mesmo. Eu estou satisfeita assim, prefiro ter uma vida agitada ao invés de ficar parada.

    Essa semana iniciei o penúltimo e 7º ciclo do Xeloda e eu estou com grandes expectativas para acabar com isso logo, quero comemorar o fim dessa etapa que estou vencendo. Tenho levado o tratamento da seguinte maneira: são fases que passo e venço uma por uma!

    Os últimos dias foram bem difíceis…. Eu senti um nódulo na mama, palpável e perceptível a olho nu. Fiquei bem angustiada. Não é porque eu passei pelo câncer que eu estou preparada pra ficar levando esses sustos. Fui ao Dr. João, e é claro que ele pediu ultrassom para investigarmos. Passou todo um filme na minha cabeça e eu senti medo, muito medo. Medo de ser uma recidiva, medo de passar pelas quimioterapias novamente, medo de passar por tudo de novo. Eu tento manter a calma, mas para quem já teve câncer, ter um nódulo é assustador. No outro dia fiz ultrassom e graças a Deus não passava de um cisto de água, nada grave. Mas até eu ter essa confirmação eu perdi noites de sono, eu fiquei ansiosa e o meu emocional se desestabilizou completamente, mesmo que eu não externasse isso. Eu senti um frio na barriga muito grande, fiquei extremamente sensível… Realmente não desejo isso que eu passo para ninguém. Mas tudo bem, não passou de um susto muito chato.

     E olha que ironia da vida? Essa semana eu completo um ano de diagnóstico. E mesmo que tenha se passado um ano do pesadelo que eu vivi ao receber o diagnóstico, não consigo me esquecer da sensação, da dor e de tudo que passou pela minha cabeça no dia em que tive a notícia de que estava com câncer. É que ainda dói, embora eu consiga falar sobre isso muito bem, dói lá na alma relembrar tudo, foi muito sofrido. Só que vendo por outro lado, eu achava que não acordaria desse pesadelo e que ficaria presa naquele sofrimento todo, mas veja bem… Passou!!! Tudo passa nessa vida. E nesse um ano a minha vida virou do avesso e eu me transformei. Os meus conceitos, ideais e planos mudaram completamente, me aproximei de Deus, pude ter o privilégio de conhecer pessoas maravilhosas, passei por um mix de sensações e sentimentos, me descobri e me redescobri e só tirei coisas boas de tudo isso!

        Vivi e senti na pele a verdadeira essência da tal resiliência, e olha… me ajudou muito, muito mesmo. Tenha em mente que nada é para sempre, que momentos ruins passarão e que hoje sua vida pode estar nublada e em tempestade, mas depois vem o arco íris e depois desse arco íris vem o sol! Tenha otimismo, mantenha a cabeça erguida e nunca perca a sua fé. Tudo isso me ajudou e ainda me ajuda para que eu siga cada dia enfrentando meus medos e dificuldades e superando um por um.

     Hoje eu estou reaprendendo a me encaixar nesse mundo que não parou enquanto passei por tantas metamorfoses. Não quero ser repetitiva, mas já sendo: um dia de cada vez, sempre.

      Tudo passa.

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A prova de que tudo passa… coloquei as fotos em ordem cronológica! Essa sou eu ao decorrer do tratamento =) cabelos cada dia maiores, totalmente desinchada e mais feliz!!!  ❤
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FONTE: pinterest // @itktreinamentos

Beijos,

Bel ❤️

Uma nova rotina pós câncer

 

Retomar a rotina não é fácil depois de ter passado por um tratamento pesado e desgastante. Eu escolhi retomar aos poucos algumas atividades que eu costumava ter antes do câncer (embora eu ainda esteja em tratamento). Na minha percepção tudo mudou, eu não sou mais a Isabel de antes… E sinceramente? Graças à Deus. Ninguém é o mesmo depois de um câncer, sinto que aprendi muito. Vivi e ainda estou vivendo essa fase com toda a intensidade que existe dentro de mim.

Aos poucos tenho procurado me reinserir aos contextos em que eu estava acostumada a viver antigamente, mas sempre respeitando os meus limites. E o engraçado é que muita coisa não se encaixa no mesmo lugar de antes. Meu círculo de amizades não é mais o mesmo (as enfermeiras que cuidaram de mim e minha fisioterapeuta são minhas  amigas também, eu criei um sentimento de afeto por todas), minhas prioridades e preocupações são outras, minha percepção sobre o mundo e sobre as pessoas mudou completamente. O meu olhar passou a ser outro, tive o privilégio de perceber o quanto nós, seres humanos, passamos por metamorfoses necessárias à nossa evolução. Devemos ser melhores sempre e, cada dia é uma oportunidade para isso.

Decidi por mim mesma que era a hora de voltar para a faculdade, mesmo com opiniões de pessoas que me amam dizendo que essa não era a hora, mas pela primeira vez, depois de meses eu pude ter a escolha do que fazer ou não com a minha vida e meu coração me dizia que eu deveria voltar sim, mesmo que não fosse fácil. Decidi voltar a dirigir aos poucos, vez ou outra bate insegurança, mas é tudo questão de tempo. Também decidi que é a hora de voltar a sair com minhas amigas, fazer as coisas que eu gosto, frequentar novos lugares, conhecer restaurantes novos (coisa que amo de paixão) e fazer tudo aquilo que me dá prazer.

Semanalmente tenho participado de uma reunião do Cettro que é um grupo de meditação com mulheres que tiveram câncer de mama e, além disso, ontem fui à uma roda de conversa da Ong Vencedoras Unidas que reúne mulheres que tiveram câncer de mama também. Embora eu seja a mais nova – sem exceção das vezes – nessas reuniões, eu sempre escuto muitos casos que me fazem refletir o quanto sou privilegiada por poder ter o melhor tratamento, o melhor oncologista, a melhor cirurgiã plástica, o melhor psicólogo, a melhor fisioterapeuta e as melhores enfermeiras que existem ao meu lado!!! Acho muito importante e bacana essa troca de experiências. Confesso que antes, bem lá no início, eu achava que não me sentiria muito à vontade com esses grupos de apoio, mas agora eu amo porque conheci muitas pessoas legais, é um mundo novo, com pessoas maduras que, mesmo que sejam mais velhas, me entendem muito e me acolhem de uma maneira linda!

Comecei o segundo ciclo do Xeloda na última semana, sem muitas intercorrências até agora, ainda bem! E avante!

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Abri esse livrinho e, por acaso caiu nessa mensagem que fez todo o sentido para mim… 

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Beijos,

Bel ❤️

Andei pensando…

Queria agora, nesse exato momento estar no meu tão sonhado intercâmbio, mas estou aqui digitando sobre essa experiência maluca que é o câncer e o pós câncer. Eu deveria me preocupar com as minhas provas que estão chegando, mas na verdade mesmo me preocupo muito mais com meus próximos exames. Queria muito conseguir focar nas minhas leituras da faculdade, mas o que mais tenho lido e consigo focar com facilidade desde o ano passado é sobre tudo o que envolve o mundo do câncer, mastectomia e bulas de medicamento.

O Dr. João e a minha mãe se tornaram alguns dos meus ídolos, quem é a Anitta perto deles? Por favor, né? E a minha vida social? Mais agitada impossível, sempre tem uma ida ao Cettro ou alguma consulta na agenda. E se eu sinto frio na barriga porque alguma coisa diferente vai acontecer? Claro que sinto, toda vez que me recordo como era passar pelas quimioterapias ou até mesmo quando sinto alguma dor diferente porque logo já me vem mil pensamentos à mente… Sim, eu tenho fé, acredito em Deus e sei que vai ficar tudo bem, mas também sei que ter medo e ficar apreensiva é normal, afinal, eu sou humana, passei por diversas situações que mexeram e mexem com o meu emocional até hoje.  O meu ideal de vida sempre foi ser bem sucedida em todos os campos da minha vida e o de conseguir conhecer o mundo, mas agora, além disso tudo, o que mais quero e tenho como principal ideal é me ver livre de tudo isso e de ter a certeza de que estou curada.

Às vezes eu olho para as pessoas da minha idade e vejo que todos possuem prioridades e preocupações diferentes das minhas e, por um momento bem lá no fundo eu também queria que fosse assim comigo… Foi duro ter que amadurecer tanto por conta de uma doença que me fez perceber o quão somos frágeis. Eu tento olhar pelo lado positivo e vejo que sou grata e privilegiada (sim, privilegiada!!!) por poder ter tirado coisas boas dessa fase da minha vida, afinal, se nada tivesse acontecido, eu não teria selecionado quem participa ou não da minha vida, não teria melhorado como ser humano, não teria crescido e amadurecido e também não teria tido oportunidades tão bacanas, além de poder ter conhecido pessoas que quero ter sempre por perto.

Eu não sei bem dizer qual o momento exato isso aconteceu, mas tudo mudou de lugar na minha vida. Sinto que Deus chegou com um propósito maior que foi o de me fazer entender que eu não controlo nada, além de me fazer enxergar o que realmente importa. É um processo lento e doloroso, há dias que eu até “esqueço” por algum momento e isso tudo dói bem menos, mas também há dias como hoje que dói um pouquinho mais. O jeito é aprender com tudo isso e ser melhor a cada dia que passa, não é? Me entregar nunca foi uma opção.

Também nunca me esqueço de algo que minha mãe sempre me diz, acredito que seja bíblico, não tenho certeza, mas é a seguinte frase: “nenhuma folha cai de uma árvore sem a permissão de Deus.” Isso me conforta, porque eu sei que tudo tem um motivo maior, nada é em vão e que a vida me reserva muitas coisas incríveis!

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Beijos,

Bel ❤️