Internação, home care, um Natal diferente

Na quinta-feira a noite percebi que estava saindo pus pela minha PICC, (fiquei preocupada porque isso é sinal de infecção) logo mostrei pra minha mãe, que imediatamente comunicou o Dr. João e ele disse que era para lavarmos com água e sabão e irmos ao Cettro no outro dia. Na madrugada de quinta para sexta acordei tremendo muito e com bastante frio, minha mãe me levou ao hospital imediatamente. Chegando lá a enfermeira aferiu minha temperatura, eu estava com 38,6ºC de febre e com a frequência cardíaca alta, naquele momento já fiquei chateada porque sabia que teria que ficar internada, de novo. Por conta de uma provável infecção na PICC.

No hospital, retiraram minha PICC logo que cheguei, coletaram meu sangue, fiz alguns exames e logo pela manhã, bem cedinho o Dr. João foi me ver. Ele constatou que realmente é uma infecção (febre, calafrios, frequência cardíaca alta) e, por isso, eu devo tomar antibiótico. O que quer dizer que eu ficaria internada. Minha mãe conversou com ele a possibilidade de me deixar em home care como da última vez, ele disse que era possível, mas que eu deveria ficar no hospital até que meu quadro clínico  melhorasse (a febre deveria ir embora). E assim foi, passei a sexta internada e o Dr. João me deu alta no sábado de manhã. Estou em home care, os enfermeiros estão vindo até minha casa duas vezes por dia – durante dez dias – e ministrarão o antibiótico em mim, muito melhor do que passar esse tempo todo dentro de um quarto de hospital. Pelo menos posso passar o Natal em casa, perto da minha família.

Agora não tenho mais a PICC, minhas veias estão ligeiramente desaparecidas e para conseguir acesso tem sido bem complicado. Devo ficar de repouso e evitar fazer qualquer esforço para não perder a veia que tem um acesso. Já estou bem cansada por conta da última quimio, os efeitos colaterais estão vindo mais intensos e ainda soma com essa infecção… Me sinto cansada física e emocionalmente, além de estar um pouco chateada por atrasar o término das quimios. Apesar disso, sigo confiante. Deixo tudo nas mãos de Deus, Ele cuida de todos os detalhes.

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Parte da medicação…

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Meu acesso

Beijos,

Bel ❤️<<
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Tchau, cateter! Home Care…

Felizmente o Dr. João conseguiu realizar minha cirurgia no domingo cedo e retirou o cateter. Naquele mesmo dia me senti melhor, meu coração voltou a bater compassadamente e parei de sentir aquele desconforto que estava sentindo. O cansaço e a fadiga diminuíram, gradativamente. Fiquei internada até segunda-feira e depois vim para minha casa (antes passamos no Cettro para que as enfermeiras de lá fizessem um novo acesso no meu braço, visto que o que foi feito no Hospital já não estava bom. Lá no Cettro as enfermeiras têm mãos de fada). Graças a Deus!! A cada dia que eu ficava internada era um dia a mais de agonia, angústia e ansiedade. Agora estou recebendo atendimento domiciliar (Home Care), os enfermeiros de uma empresa veem até a minha casa duas vezes por dia e ministram a medicação que eu preciso. Considero bem melhor, pois estou no conforto do meu lar, longe do hospital e do risco de possíveis infecções hospitalares.

Ainda estou me recuperando da retirada do cateter, dói um pouco no local. Na verdade, é bem mais incômodo o pós-cirúrgico da retirada do cateter do que para colocá-lo. Sinto o local bem dolorido, além do mais, fazer qualquer tipo de esforço é complicado. Por enquanto, até terminar de tomar o antibiótico, estou de repouso em casa, não posso mesmo sair e também não estou recebendo visitas.

Nos dias que estive internada me vi totalmente dependente da minha mãe, ela me ajudava a tomar banho e, inclusive, colocou comida na minha boca porque eu estava bastante cansada. Nunca me imaginei numa situação dessas, mas agora estou bem melhor.

Agora quero terminar logo esse antibiótico, me ver livre desse acesso e voltar à minha rotina, ou seja, a rotina das quimioterapias. Amanhã tenho consulta cedo e vamos ver se quando o Dr. João vai me deixar retornar à minha rotina.

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Parafernálias contra a infecção! 
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Acesso para a medicação, close nas unhas com esmalte natural kkk

Beijos,

Bel ❤️

 

Altos e Baixos

A última semana não foi muito fácil, por isso andei sumida daqui…

No domingo passado (04/11) tive uma tontura em casa, acabei desmaiando e batendo a cabeça levemente. Minha mãe ficou preocupada e achou melhor avisar aos médicos que cuidam de mim. A orientação foi para ir ao Hospital Brasília. Viemos. Chegando aqui fiz exames de sangue e tomografia do crânio. Felizmente tudo estava normal. Na segunda-feira fomos ao cardiologista para fazer uma avaliação da minha frequência cardíaca, que, embora tomando remédio para controlar, ela não normaliza. Por conta disso, mais uma vez tive que colocar um HOLTER pelo período de 24 horas. Na terça-feira (05/11) tirei o HOLTER, era véspera de quimioterapia, tive febre e novamente viemos ao hospital – quando dá febre de 38ºC o protocolo é ir direto ao hospital. Chegando aqui eu já estava sem febre, mas o exame de sangue que eu havia feito no inicio da tarde sugeria uma infecção, por isso o médico receitou um antibiótico e voltamos para casa.

Quarta-feira (06/11), dia de quimioterapia. Eu tinha consulta bem cedinho com o Dr. João, logicamente ele disse que eu não faria quimioterapia naquele dia. Após o exame clínico ele pediu um exame de cultura do catéter, a fim de afastar a possibilidade de contaminação.

Depois de colher o exame voltamos para casa. Na verdade, muito embora estivesse me sentindo um pouco fadigada, fiquei triste por não fazer a quimioterapia na quarta-feira. Queria fazer. É que tínhamos na cabeça, eu, minha mãe e minha tia, que iriamos comemorar o fim dos ciclos de quimioterapia no Natal e o fato de protelar uma semana me deixou um pouco triste. Mas depois a minha tia me disse que passaríamos a comemoração para o Ano Novo e minha cabeça capitulou esse novo momento. Enfim, não podemos desanimar e o Dr. João por certo sabe o que é melhor para mim, confiamos inteiramente nele.

Bem, mas eu andava meio para baixo esses dias. Minha frequência cardíaca alterada (o HOLTER mostrou que num período de vigília de 24 horas, meus batimentos cardíacos    estiveram acima de 100 por 11 horas. Era como se em 24 horas eu corresse 11 horas. Não era a toa então que eu estivesse tão cansada, um incômodo para respirar, uma fadiga no peito. Mas a última quimioterapia que fiz foi dia 01/11, então não era ela a vilã.

Passei a quinta-feira relativamente bem.

Sexta-feira (07/11) fomos ao cardiologista. Ele trocou o remédio que controla a frequência cardíaca. Estava bem cansada e com muita fadiga, passei o dia para baixo e no final da tarde tive uma febre de 38.8ºC.  Minha mãe me trouxe ao hospital imediatamente. Cheguei sem febre, mas meus batimentos estavam chegando a 154bpm e eu estava com uma dor quase que insuportável na cabeça. Prontamente fui atendida, colocaram um acesso em mim e me aplicaram um antibiótico e eu tive uma reação alérgica imediatamente. Foi horrível, uma das piores coisas que já senti, entrei em total desespero, chorei, senti muita coceira, fiquei com a pele vermelha, quente. No mesmo momento recebi antialérgicos. A equipe do hospital agiu de forma muito rápida. Fiz outros exames e foi descartada a hipótese de pneumonia, sinusite, infecção urinária.  Então estou aqui internada, tomando outro antibiótico. O Dr. João concluiu que só pode ser o catéter, o grande vilão e decidiu retirá-lo. A cirurgia foi marcada para hoje de manhã, mas houve um problema: me aplicaram uma injeção de anticoagulante que deveria ser aplicada somente depois da cirurgia. Pela graça de Deus, Dr. João foi informado um pouco antes de me levarem para o centro cirúrgico, por isso estou aqui aguardando o procedimento para amanhã, domingo, bem cedinho. Dr. João disse que tem dois compromissos amanhã, tirar meu cateter e correr 10km. Eu também tenho dois: ficar sem esse cateter-vilão e descansar para continuar forte lutando essa batalha.

Tenho sido forte até agora, pelo menos tenho me esforçado, mas é claro que não vejo a hora de ganhar essa guerra e retornar à minha rotina, à minha vida, meu projetos, meus sonhos! Viver, lutar contra um câncer não é fácil, mas sobra o aprendizado. Hoje sei que tudo tem seu tempo. Eu não planejo nada.  Tudo vai de acordo com os planos de Deus.