Uma nova fase: iniciando o Tamoxifeno

          Hoje inicio uma nova fase na minha jornada. Finalmente iniciarei o famoso Tamoxifeno, também conhecido como terapia hormonal. O Tamoxifeno irá ser meu companheiro e eu tomarei um comprimido por dia, TODOS os dias por 10 anos. É muito tempo tomando esse remédio? É, mas estudos comprovam a importância e a eficácia desse medicamento.

             E está tudo bem, sabe?! É algo que só vai me ajudar. Além disso, o Dr. João me disse que eu nunca vou ter alta e que eu vou ter que me acostumar com ele porque ele será meu médico até ficar velhinho. rs Já estou ciente de que: uma vez paciente oncológica, para sempre paciente oncológica.

          O que eu sei é que esse medicamento é indicado para pacientes que tiveram ca de mama receptor hormonal positivo (foi o meu caso) e também sei que ele é extremamente eficaz e super importante, pois diminui o risco de recidiva (= o risco da doença retornar).

           Segundo o Oncoguia:

“Este medicamento bloqueia os receptores de estrogênio nas células do câncer de mama. Isso impede o estrogênio de se unir às células cancerosas que as faz crescer e se dividir. Enquanto o tamoxifeno age como um antiestrogênio nas células da mama, ele age como estrogênio em outros órgãos, como útero e ossos. Por isso é denominado modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM).

(…)

Para mulheres com câncer de mama receptor hormonal positivo tratadas com cirurgia, o tamoxifeno pode diminuir as chances de recidiva e aumentar a sobrevida. Também pode reduzir o risco de um novo câncer na outra mama. O tamoxifeno pode ser iniciado após a cirurgia (terapia adjuvante) ou antes da cirurgia (terapia neoadjuvante) e geralmente é administrado por 5 a 10 anos. Para câncer de mama em estágio inicial, é usado principalmente em mulheres que ainda não chegaram à menopausa.”

         Fiquei muito feliz em chegar até aqui! Eu sei que existem sim alguns efeitos colaterais, mas só de saber que ele vai me ajudar a nunca mais ficar doente eu já fico super satisfeita. E gente, vamos combinar uma coisa… O que é tomar um comprimido todo dia para uma pessoa que já passou por tanta coisa?! Nada, né? Tirarei de letra.

 

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Em primeira mão: minha primeira caixa de Tamoxifeno!! rs 

Beijos,

Bel ❤️

Ser Paciente

    Ontem  iniciei minha bateria de exames de controle. Assim que eu fizer todos os exames irei levar para o Dr. João e depois disso finalmente irei começar com o Tamoxifeno.

    Muitas mulheres me relatam que sempre que chega perto de fazer esses exames começam a ficar aflitas, nervosas e ansiosas… Eu acho completamente normal e compreensivo, eu também fiquei ansiosa. Refazer todos esses exames é desgastante e nos lembra tudo o que passamos.

    Ontem foi um dia super cansativo, passei por um grande estresse na Clínica que faço meus exames pois fiquei mais de três horas aguardando por um atraso da própria Clínica, toda essa situação só agravou a minha ansiedade, no final do dia eu estava exausta e com o braço doendo (é que fiz exames com contraste).

    Bom, se você passou pelo câncer, inevitavelmente você terá que fazer exames para o resto da vida. E outra coisinha: você tem que se acostumar e aprender a esperar. Já que somos pacientes ou ex-pacientes oncológicos o jeito é aceitar que dói menos, viu?

    Descuidar da nossa saúde não é e nunca foi uma opção. Sei que é estressante, sei também que passar por isso nos faz relembrar tudo o que já passamos, mas de uma forma ou de outra devemos contornar essa ansiedade e devemos equilibrar nosso emocional e nossos pensamentos.  Imaginem viver o resto de nossas vidas com esse estresse de 3 em 3 meses ou de 6 em 6 meses?

    Eu cheguei à conclusão de que ser paciente com a vida e ser paciente oncológico é isso: saber que tudo tem o seu tempo; aprender a aceitar o ciclo da vida; deixar ser cuidado pelo outro; aprender com as situações que a vida nos impõe; ter equilíbrio.

    A máxima de hoje é: Já que somos o jeito é ser.

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Fonte: Pinterest

Beijos,

Bel ❤

 

Vivendo a Vida

Cada vez menos eu tenho vindo aqui e você sabe o motivo?

Eu estou super bem!

Semana passada foi bem especial, pois fui ao Dr. João e o meu tratamento está oficialmente encerrado. Agora só irei fazer exames de controle e em breve entrarei com o Tamoxifeno. Também continuarei com o Zoladex – é um medicamento anti-hormonal e que me deixa na menopausa química – mensalmente.

Quanto menos eu vier aqui será melhor, pois isso quer dizer que eu estou deixando a vida me levar – no bom sentido à la Zeca Pagodinho – e que estou bem, com saúde e tocando meus projetos.

O meu final de semana foi extremamente especial… No sábado fiz uma festa e comemorei meu aniversário, comemorei a minha vida, comemorei o término do meu tratamento. No domingo tive as bodas de prata da Dani e do Tico. Eu e a Dani viramos amigas porque tivemos algo em comum: o câncer de mama. Ela também superou, está bem e nesse final de semana celebrou a vida e seus 25 anos de casamento. Tive a oportunidade de ler um texto na cerimônia contando a trajetória da Dani… Ela se tornou muito especial para mim. Por fim, ontem ocorreu um evento muito bacana no Hospital Santa Lúcia com o tema “Além do Câncer”, dentro de um projeto chamado “Ressignificar” de autoria da Dra. Ana Carolina Salles (oncologista do Santa Lúcia) e eu tive a oportunidade de falar um pouco sobre a minha experiência com o câncer.

      Essa será a minha vida daqui pra frente. Eu irei levar minha história, irei encorajar pacientes e irei ajudar o próximo. Vocês não irão me ver mais como a Isabel com câncer e sim como a Isabel que venceu tudo e que está muito bem.

  Hoje, com muita convicção eu posso te dizer que por mais que eu tenha passado por tudo isso e por mais que eu tenha sofrido muito, eu saí uma nova Isabel e só saí ganhando. Ganhei amizades verdadeiras, ganhei muuuitas orações, abri minha vida para Deus, ganhei maturidade, recebi amor (muito amor, diga-se de passagem) e passei a ver a vida com outros olhos, olhos de gratidão o tempo todo.

Eu passei a reclamar menos e a agradecer mais e eu vejo que eu nunca tive motivos para reclamar de nada, essa é a maior verdade. Hoje eu só tenho a certeza disso.

 Beijos,

Bel ❤