Vamos falar de gratidão?

Hoje eu decidi vir falar de gratidão. Essa palavra tão simples, com 8 letrinhas apenas, mas que tem tanto significado e que ultimamente tem feito tanto sentido na minha vida. Antes de passar por esse turbilhão de coisas eu vejo que eu não era nada grata, que Deus me perdoe. Eu reclamava de situações pequenas e que me tiravam do sério, não tinha muita tolerância e qualquer coisinha era sinônimo de muita dor de cabeça.

Talvez esteja na essência do ser humano ser insatisfeito e reclamar de tudo, mas isso não é certo. O nosso erro é querer sempre mais do que temos e acharmos que a grama do vizinho é sempre mais verde. Aprendi e entendi nesse último ano que devemos ver o lado bom de tudo e a vida pode sim ser mais leve, isso depende apenas de nós mesmos.

Graças a Deus eu tenho tido a oportunidade de conviver com realidades totalmente opostas à minha, isso tem me feito refletir o quanto sou privilegiada e o quanto eu devo ser grata. Esse choque de realidade tem me feito ser uma pessoa extremamente agradecida pela vida que tenho. Que bom que a minha percepção mudou e que bom que eu consigo enxergar a vida de outra forma.

Hoje eu quero agradecer. Agradecer por ter pais maravilhosos e por ter como mãe uma mulher excepcional, agradecer por ter pessoas que me amam e me apoiam ao meu lado, agradecer por ter um lar, agradecer por ter saúde, agradecer por ter uma boa assistência médica, agradecer por ter a oportunidade de ter acesso à uma boa educação, agradecer por acordar e respirar, agradecer por simplesmente ter motivos para agradecer! Deus tem sido muito bom comigo, hoje me sinto uma pessoa mais leve, mais tranquila e muito mais paciente. Foram os aprendizados que adquiri nesse último ano, mas não fique aí pensando que tudo isso veio de graça, teve um preço alto e esse preço foi o câncer, mas vejo tudo isso com muita parcimônia e apenas aceito e agradeço.

Ser uma pessoa grata – ao meu ver – não quer dizer que sua vida é perfeita,  que você não enfrenta problemas ou dificuldades, mas sim que você tem a capacidade de ver o lado bom de tudo, de extrair aprendizados, de ser resiliente, de buscar e encontrar felicidade e principalmente de que você é uma pessoa capaz. Tudo o que sentimos depende de nós mesmos e as coisas da nossa vida tem o tamanho da importância que atribuímos a elas. Nós somos responsáveis pelo que sentimos. Então vamos aceitar e agradecer.

Você já foi grato hoje?

Beijos,

Bel ❤️

Recuperação da Mastectomia: um dia de cada vez

Todos os dias eu exercito a paciência porque a recuperação da mastectomia não é fácil, além disso, é um processo demorado que exige muita calma.  Eu imaginei que depois de quase 40 dias de cirurgia eu já estivesse me sentindo muito bem… Mas não é bem assim, o processo de cicatrização tem sido muito lento e eu ainda não me sinto a Isabel que eu era antes de ter tido câncer (pelo menos no quesito disposição). A Isabel de antes tinha energia, tinha disposição de sobra e conseguia se levantar ou se deitar sem reclamar de dores nas pernas e no tornozelo. Acho que ainda deve ter resquícios de quimioterapia em mim, porque não pode ser normal a forma que tenho me sentido nos últimos dias. Me sinto enferrujada, não vejo a hora de ser liberada para praticar uma atividade física e me sentir com a idade que eu realmente tenho.

Quanto aos movimentos dos meus braços, sinto que eles estão ótimos. A fisioterapia me ajudou demais, ainda sinto um pouco de dormência e, vez ou outra, sinto pontadas nos braços e nas mamas, mas a médica e a fisioterapeuta me disseram que isso é bom, quer dizer que a sensibilidade está voltando.

Bom, o que eu preciso é que o local da cirurgia cicatrize logo para que eu continue o resto do tratamento. A minha radioterapia foi substituída por quimioterapia oral. Eu ainda não sei bem os detalhes, só saberei de tudo certinho quando eu estiver recuperada dessa mastectomia. O Dr. João disse que só posso começar essa quimio oral depois disso, então estou aqui aguardando. Como sempre.

A máxima dos meus dias têm sido: paciência. É isso, um dia de cada vez.

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Beijos,

Bel ❤️

Dias de Ansiedade

Eu não escolhi ter câncer, não acordei um belo dia e disse: hoje vou ter câncer, vou passar por várias sessões de quimioterapia, vou sofrer mudanças violentas no meu corpo, vou ter minha rotina e minhas atividades interrompidas e ainda passarei por uma mastectomia. Não, eu não escolhi. Eu também não pude ter controle sobre tudo o que eu passei, porque é uma doença que não depende total e exclusivamente de mim.

A única coisa que eu pude ter controle foi a minha postura diante da situação durante todo esse tempo. Eu tive duas opções: passar por um câncer de maneira negativa, chorando e me lamentando OU encarar o câncer de frente de maneira positiva, com fé, levando aprendizado de todos os momentos e confiando nos profissionais que estão ao meu lado. E eu escolhi a última opção, o que é claro para quem me acompanha, mas isso não quer dizer que eu não tenha tido os meus momentos de medo e de angústia.

Sexta-feira (02/02) irei passar pela cirurgia. A mastectomia não é uma cirurgia simples ou pequena, não é uma cirurgia estética também, o que me gera certa ansiedade já que está tão perto. Eu não tenho medo de passar pelo procedimento cirúrgico, eu confio de olhos fechados no Dr. João, ele é demais, é humano e muito competente. Também senti muita confiança na cirurgiã plástica, a Dra. Marcela, não poderia estar em mãos melhores. O que me deixa apreensiva é o que vem depois: o resultado e como vou reagir a ele, além do pós-operatório que me parece ser bem doloroso física e emocionalmente. Mas, visto que passei por tudo tão bem, darei o meu melhor para que seja assim em relação à cirurgia também.

Talvez eu demore um pouco para postar no blog novamente, pois não poderei levantar os braços, fazer esforço e movimentos bruscos por um tempo, mas assim que der, venho aqui e conto tudo.

Que Deus me proteja.

Beijos,

Bel ❤️